A Polícia Federal identificou uma transferência de R$ 4,4 milhões feita por uma empresa ligada ao influenciador e ex-candidato Pablo Marçal para o cantor Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP.
O repasse aparece na representação que embasou a Operação Narco Fluxo, deflagrada em 15 de abril, que apura um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio do setor de entretenimento.
Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o valor foi o maior recebido pelo funkeiro entre maio de 2024 e outubro de 2025. A empresa responsável pela transação é a R66 Air Ltda, controlada por Marçal.
Suspeitas da investigação
De acordo com a PF, MC Ryan é apontado como líder de uma rede que usava produtoras musicais e influência digital para misturar recursos legais com dinheiro vindo de rifas e apostas ilegais. O relatório cita:
- MC Ryan: suspeito de ocultar patrimônio por meio de “laranjas” e reinserir valores no mercado formal com bens de luxo.
- R66 Air: embora o nome remeta a um helicóptero Robinson R66, os investigadores destacam a proximidade entre Ryan e Marçal, lembrando que o cantor apoiou publicamente o influenciador na campanha municipal de 2024.
Defesa de Marçal
Em nota, o advogado Tassio Renam afirmou que não houve irregularidade. Segundo ele, a operação foi uma transação imobiliária: a empresa de Marçal teria comprado um imóvel de Ryan no Condomínio Aruã, em Mogi das Cruzes. O negócio, avaliado em R$ 7,3 milhões, incluiu o pagamento bancário de R$ 4,4 milhões, a permuta de outro imóvel e um veículo. A defesa diz que o processo passou por compliance, foi registrado em cartório e tem documentação disponível para as autoridades.
Posição de MC Ryan SP
O cantor já havia negado qualquer aliança política com Marçal. Em agosto de 2024, afirmou que vídeos em que aparecia ao lado do influenciador eram antigos e reforçou sua neutralidade política, criticando páginas que sugeriram apoio à campanha da direita paulistana.
Contexto da Operação Narco Fluxo
A operação mira o uso de plataformas digitais para lavar dinheiro. Além de MC Ryan SP, foram presos o cantor Poze do Rodo e Raphael Sousa, dono da página Choquei. A PF sustenta que o grupo usava operadores de mídia para promover sites de apostas e administrar crises de imagem, blindando o esquema contra investigações.



