BRASÍLIA — A Polícia Federal apreendeu 14 veículos de alto padrão ligados a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, suspeito de comandar um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em contracheques de aposentados e pensionistas.
Os bens, avaliados em R$ 6,3 milhões, foram confiscados ao longo de três fases da operação “Sem Desconto”, deflagrada entre abril e setembro deste ano.
A lista inclui modelos de luxo como Porsche, BMW, Audi e Land Rover. Um dos veículos, um Porsche 911 Carrera GTS CA, ano 2024, está avaliado em R$ 1,2 milhão. Segundo a PF, os automóveis estavam registrados em nome de Antunes ou de empresas ligadas a ele.
“Esses bens são fruto direto da arrecadação ilícita obtida por meio de descontos fraudulentos aplicados a beneficiários do INSS. A apreensão visa interromper o fluxo financeiro do grupo e garantir o ressarcimento ao erário”, afirmou o delegado federal responsável pela investigação, que pediu anonimato por questões de segurança.
Três fases, milhões em bens
A primeira fase da operação ocorreu em 23 de abril, quando foram apreendidos oito veículos — cinco carros e três motocicletas — avaliados em R$ 2,1 milhões. A segunda etapa, em 20 de maio, resultou na apreensão de cinco automóveis, somando R$ 3,2 milhões. A terceira fase, realizada em 12 de setembro, culminou na apreensão de um Porsche Cayenne S Coupé, avaliado em R$ 932 mil.
A PF detalhou os modelos confiscados:
Porsche 911 Carrera GTS CA (2024) — R$ 1.202.198
Porsche Taycan Turbo S Elétrica (2020/2021) — R$ 770.250
Porsche Panamera 4S Híbrido (2023) — R$ 763.538
BMW M3 Competition (2022/2023) — R$ 635.891
Audi RS5 SPB 2.9 TFSI (2020/2021) — R$ 463.708
Land Rover Velar P340 HSE R-DYN (2020/2021) — R$ 384.538
BMW X1 S20i M Sport (2024) — R$ 312.999
BMW M135i Xdrive (2019/2020) — R$ 246.699
Audi A3 SB Híbrido (2022/2023) — R$ 220.494
Volkswagen Polo Comfortline TSI (2020/2021) — R$ 79.719
Porsche Cayenne S Coupé (2023/2024) — R$ 932.707
Esquema milionário
Antunes é apontado como o principal operador de um esquema que desviava recursos por meio de convênios entre sindicatos e associações de servidores públicos e o INSS. O grupo intermediava descontos mensais nos contracheques de aposentados e pensionistas, repassando parte dos valores a servidores, familiares e empresas de fachada.
“O esquema funcionava como uma engrenagem bem lubrificada. Os descontos eram aplicados sem autorização dos beneficiários, e os valores eram pulverizados em contas de terceiros”, explicou um investigador da PF.
A operação “Sem Desconto” já identificou dezenas de vítimas e movimentações financeiras que ultrapassam R$ 20 milhões. A Justiça Federal autorizou o bloqueio de bens e valores de Antunes e de outros investigados.
CPMI do INSS
Antunes foi convocado a prestar depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instalada para apurar irregularidades em contratos e convênios com entidades representativas de servidores. A oitiva está prevista para a próxima semana.
“É inadmissível que aposentados sejam lesados por esquemas que se aproveitam da fragilidade institucional. Vamos responsabilizar os envolvidos”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), relator da CPMI.
A defesa de Antunes não se manifestou até o fechamento desta edição.




