A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira (3) uma nova etapa de fiscalizações em fábricas de bebidas localizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina, em resposta ao crescimento alarmante de casos de intoxicação por metanol registrados no país na última semana.
A operação, conduzida em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, teve como foco indústrias em Campinas (SP), Poços de Caldas (MG), Chapecó e Joinville (SC).
Equipes técnicas coletaram amostras de bebidas para análise laboratorial, com o objetivo de rastrear possíveis adulterações químicas e verificar a origem dos lotes suspeitos.
Segundo autoridades federais, ao menos 11 pessoas foram hospitalizadas com sintomas compatíveis com intoxicação por metanol — um composto tóxico que, quando ingerido, pode causar cegueira, danos neurológicos e até a morte.
Um dos casos mais divulgados envolve o cantor Hungria, internado em estado grave após consumir uma bebida supostamente contaminada.
“Estamos diante de uma ameaça à saúde pública que exige ação imediata e coordenada”, afirmou um porta-voz da Polícia Federal, sob condição de anonimato. “Há indícios de que organizações criminosas estejam envolvidas na produção clandestina e adulteração de bebidas alcoólicas.”
A investigação, que já dura mais de dois meses, ganhou novo impulso após o aumento repentino de internações em hospitais do interior paulista e catarinense. Fontes próximas ao caso indicam que os lotes contaminados podem ter sido distribuídos em larga escala, inclusive em pontos de venda não autorizados.
O Ministério da Agricultura confirmou que os resultados preliminares das análises devem ser divulgados nos próximos dias.
Enquanto isso, autoridades recomendam que consumidores evitem bebidas de procedência duvidosa e verifiquem selos de certificação nos rótulos.
A operação desta sexta-feira é parte de um esforço nacional para conter a circulação de produtos ilegais e proteger a população.
As investigações continuam em sigilo, mas fontes indicam que novas diligências estão previstas para os próximos dias, com foco em centros de distribuição e revendas suspeitas.
O número de intoxicações por metanol suspeitas nos últimos meses é mais que o dobro da média anual do Brasil.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra 20 casos por ano de intoxicações do tipo.
“A gente está vivendo uma situação anormal”, disse o ministro Alexandre Padilha. “Tem criminosos que romperam esses processos [de segurança e fiscalização] que são feitos regularmente”, declarou Padilha


