Fábio Luis Lula da Silva, Lulinha, filho do presidente Lula. (Reprodução)


A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que encontrou menções a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em três conjuntos de informações da investigação sobre desvios de aposentadorias do INSS.

A defesa de Fábio Luís, conhecido como Lulinha, disse que ele nunca teve relação com o instituto e classificou as referências como “ilações”. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que já atuou na defesa dele, afirmou que Lulinha está “tranquilo e acostumado com esse tipo de ilação” e reiterou que não tem vínculo direto ou indireto com o INSS.

Hipótese de sociedade oculta

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A PF apura se Lulinha teria atuado como “sócio oculto” do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, em negócios com o governo. A suspeita é de que essa ligação teria ocorrido por meio da empresária Roberta Luchsinger, alvo de busca e apreensão na última fase da Operação Sem Desconto, em dezembro.

Roberta firmou contrato de consultoria com Antônio Camilo para prospectar negócios com o governo e recebeu R$ 1,5 milhão. Em nota, sua defesa disse que tratativas não prosperaram e que nenhum contrato público foi celebrado. Afirmou ainda que Roberta mantém relação pessoal com Fábio Luís e sua família há anos.

Menções em depoimentos e viagens

Um dos relatos que citam Lulinha foi dado pelo empresário Edson Claro, ex-sócio do Careca em empresa de cannabis medicinal. Ele disse ter ouvido que Fábio seria sócio do projeto e que teria recebido valores de Antônio Camilo, incluindo uma suposta “mesada” de R$ 300 mil.

A PF também identificou viagens de avião feitas por Fábio Luís e Roberta com bilhetes comprados sob o mesmo localizador, o que indica aquisição conjunta. Entre os deslocamentos, houve voos de São Paulo a Brasília em 2025 e uma viagem a Lisboa em junho de 2024, período em que o Careca buscava negócios de cannabis em Portugal.

Conversas interceptadas

Diálogos entre Antônio Camilo e Roberta reforçam a suspeita. Em uma das conversas, o empresário determinou pagamento mensal de R$ 300 mil para a empresa de Roberta, dizendo que seria referente ao “filho do rapaz”.

A PF destacou a preocupação de Roberta com a possibilidade de a imprensa associar o nome de Fábio Luís ao Careca. Em outro trecho, ela mencionou a apreensão de um envelope com ingressos de show que trazia o nome de Lulinha.

Situação atual

O Careca do INSS está preso desde setembro de 2025, acusado de liderar esquema milionário de descontos indevidos em aposentadorias mediante pagamento de propina a servidores. Seu filho, Romeu Antunes, também foi preso.

A CPI do INSS já rejeitou convocação de Lulinha, mas um novo requerimento deve ser discutido em fevereiro. Lula afirmou anteriormente que, se algum filho estiver envolvido, será investigado.

Na representação enviada ao STF, a PF ressaltou que, até agora, não há indícios de participação direta de Fábio Luís nos fatos. A corporação disse que seguirá apurando “livre de interferências externas ou narrativas políticas”.