da Redação
04 maio 2026
André Luiz Petraglia*
A data de treze de maio, é extremamente importante para nosso país, pois se trata do dia em que foi assinada a Lei Áurea, lá nos idos de 1888, decretando a abolição da escravidão. Sabemos que tal decreto tinha inúmeras motivações políticas, econômicas e sociais, assim como temos consciência de que muitas das dificuldades daquela época continuam a existir, principalmente por conta do racismo e de todo tipo de preconceito inerente a essa questão. Mas, será que já paramos para pensar de verdade na situação de alguém mantido em cativeiro, obrigado a trabalhar, sem direito a escolha nem ao menos sobre o que comer, vestir ou aonde ir? Hoje somos privilegiados, uma vez que tais condições, apesar de ainda existirem clandestinamente em alguns lugares, são ilegais e condenadas socialmente, fato que não ocorria anteriormente, por todas as questões culturais vigentes na época.
Porém, todos nós, independente de nossa etnia, hoje ainda vivemos ou presenciamos diversos outros tipos de escravidão. Vemos as notícias sobre as “cracolândias”, um exemplo extremo, onde pessoas de todas as idades, raças e até mesmo vindas de condições sociais mais confortáveis, encontram-se presas à dependência química e à alienação por efeito das drogas em suas mentes.

Sabemos que pessoas próximas a nós também sofrem desse mal, assim como da dependência de medicamentos contra a ansiedade e a depressão, ou da bebida, droga ainda considerada lícita e que ceifa tantas vidas, seja pelos seus danos ao organismo de quem as consome, seja na imprudência na condução de veículos sob seus efeitos e que causa tantas mortes no trânsito diariamente.
Somos escravos também de nossas paixões, arraigadas em nossa infância, adolescência ou adquiridas já na fase adulta. Temos nossos desejos sobre o poder e o sexo, nossos delírios de consumo, nossa preguiça, nossos excessos de todo tipo e tantos outros hábitos, pensamentos e bloqueios psicossociais que nos paralisam, nos cristalizam e não permitem que tenhamos as ações tão necessárias ao nosso desenvolvimento como seres sábios e inteligentes.
Portanto, na mesma medida em que precisamos lutar contra preconceitos de toda ordem em nossa sociedade, precisamos também continuar olhando para dentro de nós mesmos, de nossa consciência e começarmos a agir para nos livrarmos das correntes da estagnação evolutiva que colocamos ao nosso redor, muitas vezes tão apertadas e emaranhadas que temos dificuldades em acreditar que possam ser abertas ou quebradas.
O que precisamos é saber que as chaves encontram-se muito próximas de nossas mãos, dentro de nosso próprio ser e, muitas vezes, necessitamos apenas de uma pequena ajuda, uma voz orientadora, que soe como um decreto libertador que venha nos lembrar de tudo o que somos capazes de realizar.
*André Luiz Petraglia é escritor, palestrante e consultor de comunicação e design.
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