da Redação
26 maio 2026
O Brasil registrou 3.642 homicídios de mulheres em 2024, o equivalente a 3,4 mortes por 100 mil habitantes do sexo feminino.
Os dados fazem parte do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O número representa queda de 6,7% em relação a 2023, quando foram documentados 3.903 casos.
Desde 2014, primeiro ano da série histórica, o país apresenta tendência de redução, acumulando recuo de 27,7% em uma década.
Ainda assim, o volume absoluto segue elevado: 46.336 mulheres foram assassinadas no período. O maior índice foi registrado em 2017, com taxa de 4,7 mortes por 100 mil.
A diretora do FBSP, Samira Bueno, alerta para o crescimento das mortes classificadas como de “causa indeterminada”, que avançaram 23,8% entre 2023 e 2024.
“Parte desses óbitos pode esconder homicídios não identificados. A queda é relevante, mas precisa ser analisada com cautela”, afirma.
Regiões mais afetadas
As maiores taxas de homicídio de mulheres em 2024 foram registradas em Roraima (12,6), Rondônia (5,7), Ceará (5,7), Bahia (5,4) e Pernambuco (5,4). O levantamento mostra concentração da violência letal nas regiões Norte e Nordeste.
São Paulo apresentou a menor taxa do país, com 1,5 morte por 100 mil mulheres, além de trajetória consistente de queda desde 2014, quando o índice era de 2,7. Também ficaram abaixo da média nacional Acre (2,8), Amapá (2,5), Distrito Federal (2,2), Rio de Janeiro (2,9), Rio Grande do Norte (2,8), Santa Catarina (2,2) e Sergipe (2,2).
Violência dentro de casa
Do total de homicídios, 35,2% ocorreram dentro das residências das vítimas, proporção idêntica à de 2023.
O estudo aponta que, ao contrário dos assassinatos fora de casa, que acompanharam a tendência de queda, os casos domésticos permaneceram estáveis.
Mulheres negras: principais vítimas
Das 3.642 mulheres assassinadas, 2.457 eram negras, o que corresponde a 67,5% do total. Entre 2014 e 2024, a taxa de homicídios nesse grupo caiu de 5,6 para 4 por 100 mil, uma redução de 28,6%.
Violência não letal em alta
Em 2024, 293.842 mulheres foram vítimas de violência não letal, sendo 64% em contexto doméstico. O número representa aumento de 6,1% em relação ao ano anterior.
Os casos de negligência cresceram 13,8%, atingindo principalmente crianças de 0 a 9 anos (51,9%) e idosas acima de 70. “São contextos distintos, desde abandono intencional até situações de vulnerabilidade socioeconômica, como crianças que ficam sozinhas em casa enquanto os responsáveis trabalham”, explica Samira Bueno.
As notificações de violência sexual também aumentaram 10,8%. Entre meninas de 10 a 14 anos, 45,5% das agressões reportadas foram de natureza sexual, indicando forte incidência de abusos intrafamiliares. Já entre mulheres de 15 a 69 anos, a violência física aparece como a mais comum, frequentemente associada a relações íntimas e acompanhada por múltiplas formas de agressão.
O estudo destaca ainda o crescimento de 27,2% nos registros classificados genericamente como “violência doméstica não identificada”. Para Samira, “é preciso melhorar a qualidade das classificações para entender por que houve piora nos dados da saúde nos últimos anos”.
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