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China desenvolve sistema para monitorar estrangeiros no país

A China vem ampliando seu aparato de vigilância com um sistema capaz de rastrear estrangeiros em território nacional, incluindo jornalistas....

China desenvolve sistema para monitorar estrangeiros no país

China desenvolve sistema para monitorar estrangeiros no país.

da Redação

22 maio 2026

A China vem ampliando seu aparato de vigilância com um sistema capaz de rastrear estrangeiros em território nacional, incluindo jornalistas.

A tecnologia reúne informações pessoais, fotografias, dados de consumo e movimentações financeiras, permitindo acompanhar cada passo dos observados.

O pesquisador de cibersegurança conhecido pelo pseudônimo NetAskari relatou ter acessado, por acaso, uma versão de demonstração do sistema.

Ao clicar em uma aba intitulada “Consulta de arquivos de jornalistas”, encontrou um banco de dados com informações detalhadas de quase todos os correspondentes estrangeiros em Pequim por volta de 2021.

Entre os dados estavam fotos de passaporte, números de celular, detalhes de vistos e datas de nascimento.

“Foi mais interessante do que chocante”, disse. “Quando você trabalha como jornalista na China, basicamente presume que está sempre no radar deles. Mas o que me surpreendeu foi a facilidade com que consegui acessar esse sistema altamente sensível.”

Segundo NetAskari, o mecanismo faz parte de um projeto de “perfis holográficos” desenvolvido para o Departamento de Segurança Pública de Zhangjiakou, cidade da província de Hebei que sediou os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022.

Embora fosse apenas um teste, continha dados reais e mostrava a evolução da máquina de vigilância estatal, que vai além das câmeras de rua e se transforma em um sistema integrado de controle social, operando 24 horas por dia.

O painel da polícia de Zhangjiakou registra detalhes como o vagão e o assento ocupados por um passageiro em trens vindos de Pequim ou Xangai. Também sincroniza imagens de catracas com reconhecimento facial em estações de esqui.

“A ideia é simplesmente processar o máximo de dados possível do maior número de sensores em tempo real”, afirmou o pesquisador.

O sistema acompanha hábitos cotidianos, como consumo de gasolina, locais de compras e visitas a “áreas de petição”. O objetivo é reunir o paradeiro físico, os padrões de consumo e as pegadas digitais em um “arquivo pessoal holístico”.

Jornalistas sob vigilância

Estrangeiros, especialmente jornalistas e cidadãos de países ocidentais, são alvo prioritário. Estatísticas internas mostram foco em cidadãos dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e Canadá, grupo conhecido como Five Eyes. Alguns repórteres recebem a etiqueta “rastreável”, que aciona alertas automáticos à polícia quando entram em determinada jurisdição. “Eles não precisam mais enviar dois ou três carros para te seguir”, disse NetAskari.

Com acesso a pagamentos móveis, passagens e redes sociais, as autoridades podem prever itinerários e até intimidar fontes de jornalistas.

O sistema também gera gráficos de rede que revelam relações interpessoais com base em interações registradas em vídeo.

Em 2019, a empresa chinesa Hisense registrou patente para “modelos holísticos de relacionamento”, e em 2025 o Departamento de Segurança Pública de Putao, em Xangai, contratou um sistema semelhante por US$ 200 mil. “Nas democracias ocidentais, há debates. Na China, esses debates simplesmente não existem. A polícia e o Ministério da Segurança do Estado fazem o que querem com relativamente pouca supervisão”, disse NetAskari.

Para o pesquisador, o sistema reduz indivíduos a “uma massa de dados que pode ser controlada, moldada e coagida conforme necessário”.

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