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Estagnação da bolsa brasileira expõe dependência de commodities, diz João Camargo

A análise é do empresário João Camargo, presidente do Conselho da Esfera Brasil, ex-presidente do Conselho Executivo da CNN Brasil,...

Estagnação da bolsa brasileira expõe dependência de commodities, diz João Camargo

Estagnação da bolsa brasileira expõe dependência de commodities, diz João Camargo.

da Redação

24 maio 2026

A análise é do empresário João Camargo, presidente do Conselho da Esfera Brasil, ex-presidente do Conselho Executivo da CNN Brasil, sócio investidor da TMC, ex-Rede Transamérica de Rádio. Para o empresário, a situação expõe a estagnação do mercado brasileiro frente à escalada americana e aponta os nós estruturais que travam o crescimento do país

Para João Camargo, em 2018, o Brasil ainda ocupava uma posição modesta, mas visível, no cenário financeiro global. Sua bolsa de valores valia US$ 1 trilhão — o equivalente a 3,3% do mercado americano, então avaliado em US$ 28 trilhões. Oito anos depois, os números contam uma história diferente e preocupante.
João Camargo reuniu os dados e chegou a uma conclusão que, para ele, deveria incomodar: enquanto a bolsa brasileira praticamente estacionou nos atuais US$ 1,06 trilhão, a americana disparou para US$ 70 trilhões — chegando a bater picos históricos de US$ 79 trilhões.

Em termos relativos, disse Camargo, o Brasil caiu de 3,3% para 1,5% do mercado dos EUA. Proporcionalmente, o país ficou 50% mais pobre nessa comparação. Os americanos, por sua vez, quase triplicaram sua riqueza no período.

“O Brasil não recuou em números absolutos — ele ficou parado enquanto o mundo corria”, resume Camargo.

O olhar para o chão

Questionado pela jornalista Joana Treptow sobre as causas desse desempenho — se relacionadas à produtividade, às políticas públicas ou à posição do Brasil frente a seus vizinhos —, Camargo disse:”O problema começa pelo modelo econômico”.

Segundo ele, “o Brasil desenvolveu uma dependência estrutural do que vem do solo: agronegócio, mineração, petróleo e gás. Esses setores sustentam o país, mas também o prendem. A riqueza gerada por commodities é real, porém volátil e limitada. Sem investimento consistente em inovação e tecnologia, o Brasil continuará dependendo do preço do minério de ferro em Xangai ou da cotação da soja em Chicago para definir o ritmo de sua economia”.

“É o olhar para o chão”, define Camargo. “O Brasil precisa aprender a olhar para o horizonte.”

Política de governo, não de Estado

O segundo nó identificado pelo analista é igualmente antigo e igualmente ignorado: a falta de continuidade nas políticas públicas. “A cada novo governo, o país troca as peças do tabuleiro — prioridades, ministérios, regulações, incentivos. O que deveria ser construção se torna reconstrução permanente”.

Para Camargo, “o Brasil precisa distinguir entre políticas de governo — aquelas que duram um mandato — e políticas de Estado — as que atravessam décadas, independentemente de quem ocupa o Palácio do Planalto”

Segundo ele, “países que avançaram economicamente nas últimas décadas, como Coreia do Sul, Irlanda e Cingapura, fizeram apostas de longo prazo e as mantiveram.

O voto como decisão econômica

Camargo encerrou sua análise com um alerta “que cruza economia e política”:

“O eleitorado brasileiro precisa compreender que cada voto é, também, uma decisão econômica de longo prazo”.

Para Camargo, “se os próximos pleitos continuarem elegendo gestores sem projetos estruturados, sem visão de continuidade e sem compromisso com inovação, a trajetória de perda de relevância não vai se estabilizar”.

O empresário não descarta que o Brasil possa cair ainda mais — de 1,5% para 0,5% do mercado americano — se nada mudar.

“A aritmética é simples. A solução, por enquanto, ainda não”, acrescentou.

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