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EUA tentarão interferir na eleição do Brasil, diz Anne Applebaum

A historiadora e jornalista americana Anne Applebaum, de 61 anos, adverte que o governo de Donald Trump tentará interferir no...

EUA tentarão interferir na eleição do Brasil, diz Anne Applebaum

EUA tentarão interferir na eleição do Brasil, diz Anne Applebaum.

da Redação

24 maio 2026

A historiadora e jornalista americana Anne Applebaum, de 61 anos, adverte que o governo de Donald Trump tentará interferir no processo eleitoral brasileiro. Em entrevista concedida ao jornalista Eduardo Graça, do jornal O Globo, a vencedora do Prêmio Pulitzer afirma que existe uma “obsessão” com a política do Brasil em setores da Casa Branca.

Segundo a analista, o movimento é motivado pela forte afinação ideológica com o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus familiares.

A cartilha extremista e o modelo bolchevique

Autora de obras fundamentais para a compreensão do retrocesso democrático, Applebaum compara a estratégia do “Trump 2.0” ao modus operandi dos bolcheviques. A pesquisadora explica que o grupo governante americano atua sob a premissa de que a sua revolução conservadora doméstica só estará segura se for replicada globalmente. Para isso, pretendem utilizar meios políticos, propaganda e outras iniciativas na tentativa de empurrar o pleito brasileiro na direção que preferem.

Captura do Estado e uso do fundo bilionário

Como evidência da erosão institucional nos EUA, a historiadora cita a criação de um fundo de US$ 1,7 bilhão, abastecido com dinheiro do contribuinte, para indenizar aliados que alegam perseguição política sob a gestão de Joe Biden. Para Applebaum, a medida configura um exemplo explícito de captura estatal para o enriquecimento de correligionários e financiamento de disputas eleitorais. O padrão, diz ela, assemelha-se às técnicas totalitárias de instrumentalização da Justiça e da máquina pública.

Rejeição eleitoral e soberania nacional

Apesar do alerta sobre as investidas de Washington, a cientista política ressalta que as tentativas de ingerência externa costumam produzir o efeito inverso ao desejado. Ela lembra que o eleitorado tende a rejeitar a interferência de forasteiros em seus processos democráticos, como ocorreu recentemente na Hungria. A especialista defende que as instituições brasileiras devem se preparar para conter influências externas, garantindo a soberania do resultado de outubro.

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