da Redação
24 maio 2026
Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (24), o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, rebateu as tentativas de associar o tribunal ao escândalo do Banco Master.
Para ele, a crise não nasceu em Brasília, mas sim na Faria Lima, epicentro do mercado financeiro em São Paulo.
“Quem vendeu títulos foram os bancos. Não quero isentar de responsabilidade quem tem, mas me parece que você coloca o tribunal num corredor polonês”, afirmou, ao destacar que a falta de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central contribuiu para o colapso.
O caso se tornou um escândalo sem precedentes no país pelo volume do golpe aplicado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e por envolver relações incestuosas entre o empresário, ministros do STF e políticos.
Gilmar insiste que o problema é estrutural. “A crise não é do tribunal, é sistêmica”, disse, apontando para falhas regulatórias e ausência de diretores na CVM por mais de um ano.
Além da crise financeira, o ministro abordou temas políticos sensíveis. Criticou a rejeição de Jorge Messias pelo Senado para o STF, classificando a decisão como “puramente política” e fruto de uma “grave falha de articulação” do governo Lula, que, segundo ele, opera em minoria no Congresso. “Eu trabalhei no governo FHC. As votações eram dramáticas, mas havia quem soubesse calcular”, comparou.
Sobre o Fórum de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza”, alvo de críticas por reunir autoridades investigadas, Mendes minimizou:
“Não temos nenhum controle sobre isso. São personagens que se aproveitam do ensejo para ir ao El Corte Inglés ou fazer festa no rooftop do Tivoli. Não nos diz respeito.”
O ministro também defendeu a continuidade do inquérito das fake news, mesmo diante de discussões internas no STF sobre seu encerramento. “Mantido o ambiente de radicalismo, e tudo indica que vai ser mantido, dado o acirramento eleitoral, o inquérito é necessário”, afirmou.
Questionado sobre a crise de confiança da população no Supremo, apontada pelo Datafolha, Gilmar atribuiu o desgaste à transferência indevida de responsabilidades para a Corte. “Houve certa habilidade em transferir para o tribunal a responsabilidade por fatos graves que revelam uma crise sistêmica”, disse.
Ao final, reforçou que o epicentro da turbulência não está na Praça dos Três Poderes, mas na avenida que simboliza o poder econômico do país: “A crise do Master não está em Brasília, está na Faria Lima.”
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