da Redação
22 maio 2026
O governo dos Estados Unidos avançou em sua estratégia de pressão política sobre Cuba com o indiciamento formal do ex-presidente Raúl Castro pelo Departamento de Justiça americano. O líder cubano, de 94 anos, é acusado de responsabilidade na queda de duas aeronaves da organização humanitária “Hermanos al Resgate”, ocorrida em 24 de fevereiro de 1996. O anúncio, feito pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, coincide com um período de severa crise energética e de desabastecimento na ilha, além do endurecimento de sanções financeiras e do embargo ao petróleo por parte de Washington.
Enquanto Rubio discursava em Washington, em Havana o atual presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e o próprio Raúl Castro participavam de um ato público. No mesmo dia, a União Elétrica de Cuba informava que o Sistema Elétrico Nacional operava com um deficit de 1.300 megawatts, gerando apagões prolongados que paralisaram a rotina da capital cubana.
As acusações contra Castro incluem homicídio e conspiração para assassinar cidadãos americanos. Rubio dirigiu-se à população da ilha em espanhol, afirmando que as sanções não visam punir o povo, mas sim o grupo militar que controla a economia cubana — em referência ao conglomerado Gaesa, que administra setores estratégicos como o turismo.
Cerco de Combustíveis e CIA
A pressão de Washington contra o Palácio da Revolução intensificou-se com novas restrições ao fornecimento de petróleo e uma recente visita do diretor da CIA a Havana, com o objetivo de deixar claro que os EUA monitoram o que consideram ameaças à sua segurança nacional.
“Estamos prontos para abrir um novo capítulo”, declarou Rubio, sinalizando uma oferta de relacionamento direto com o povo cubano e com o setor privado local, sem a mediação do governo de Díaz-Canel.
Para analistas internacionais, a estratégia da Casa Branca busca uma mudança de regime ao sufocar economicamente o país. Especialistas apontam que as sanções atuais criaram um cenário de restrição severa, comparável ao “Período Especial” vivido por Cuba nos anos 1990, após o colapso da União Soviética.
Reações e Contexto Histórico
A retórica entre os dois países também evoca disputas históricas. Enquanto o governo americano resgata a data de 20 de maio de 1902 como o nascimento da república cubana, Díaz-Canel classifica o período anterior à revolução de 1959 como uma era de “intervenção e ingerência ianque”, reforçando o sentimento anti-imperialista na ilha.
Cientistas políticos alertam que as promessas de Donald Trump de “libertar Cuba” geram ceticismo. Críticos argumentam que a política de Washington pode, na verdade, isolar ainda mais a ilha e empurrá-la de volta a uma situação de extrema dependência externa, alterando as dinâmicas de poder na região sem necessariamente garantir uma transição democrática estável.
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