da Redação
16 junho 2026
A empresária Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, afirmou nesta terça-feira (16), durante o Seminário LIDE de Empreendedorismo e Economia Criativa, em Barueri, que o varejo brasileiro vive um momento de transformação acelerada, mas sem perder suas raízes.
“Você não tem que ter vergonha da sua origem, não tem que ter vergonha do que você é. Eu tenho muito orgulho de falar que sou de Franca, ajudo muito a cidade e não tenho vergonha de falar porta, portão. É a minha essência”, afirmou.
Trajano defendeu que a loja física continuará relevante, mas com novo papel. “A loja física não vai acabar. Pelo contrário. Ela vai continuar, mas não do jeito que era. Hoje, tem que vender experiência, encontro”, disse. Para exemplificar, citou o espaço recém-inaugurado na Avenida Paulista, no antigo prédio da Livraria Cultura. “Não precisa matar o passado para pegar o futuro. Fizemos um manifesto, trouxemos o passado, o futuro e muito sofá para o povo sentar. Porque o povo quer se encontrar”, explicou.
A executiva lembrou que o Magazine Luiza foi pioneiro ao lançar, em 1991, a “loja eletrônica Luiza”, antes mesmo da popularização da internet. “Quando você vai fazer uma coisa nova, todo mundo aposta que não vai dar certo. Você tem que ficar quietinho, ir fazendo, e fazendo, e fazendo para dar certo”, disse. Hoje, a companhia soma 1.290 lojas físicas e um super aplicativo que integra empresas como Kabum, Netshoes e Época Cosméticos.
Sobre tecnologia, Trajano destacou o impacto da mobilidade e da inteligência artificial. “O mobile mudou demais da conta. Quando pôs na mão da gente o celular, foi uma transformação violenta. Agora, a inteligência artificial é um tsunami”, afirmou. Para ela, a ferramenta deve ser incorporada ao cotidiano das empresas e dos consumidores. “Mexer na inteligência artificial é mais fácil do que o WhatsApp”.
A empresária também ressaltou a importância da empatia como valor aprendido no varejo. “Quando a gente aprende a ser vendedora, aprende uma coisa muito importante, que é empatia. Empatia é eu trocar de papel com outro no mundo do outro. Isso é um exercício muito sério”, disse.
Trajano lembrou ainda que o Brasil tem perfil favorável para inovação. “O Brasil é um país de startup. O que falta é planejamento de longo prazo, de 20 anos, onde um dá continuidade para o outro”, afirmou.
Ao encerrar sua participação, destacou que o futuro do varejo será híbrido, unindo físico e digital. “O digital é uma cultura, não adianta querer ficar fora dele. A inteligência artificial também não. Mas as pessoas querem se encontrar”, concluiu.
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