da Redação
03 junho 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comanda nesta quarta-feira (12) a segunda reunião ministerial de 2026. O encontro, planejado antes do acirramento das tensões diplomáticas, ocorre em um momento crítico, marcado pelas recentes ofensivas comerciais e políticas de Washington e pela necessidade de alinhar a nova equipe de governo após a reforma forçada de abril, quando 18 ministros deixaram os cargos para disputar as eleições de outubro.
A agenda do encontro é dominada por quatro eixos centrais que testam a estabilidade do Executivo: a ameaça de sobretaxas alfandegárias pelos Estados Unidos, a inclusão de facções criminosas brasileiras na lista de terrorismo de Washington, o debate sobre a redução da jornada de trabalho e a crise institucional com o Senado após a rejeição de um nome indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF).
A ofensiva comercial de Washington
O principal foco de preocupação do Palácio do Planalto é a escalada protecionista da administração de Donald Trump. Na segunda-feira, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após uma investigação que acusa o país de restrições comerciais ligadas a fatores como a pirataria, o desmatamento ilegal e o uso do sistema de pagamentos Pix. Ficam de fora da sanção apenas setores estratégicos para o mercado americano, como aeronaves e café.
A situação agravou-se na terça-feira com um segundo relatório de Washington sobre trabalho forçado, que inclui 60 nações. A proposta de uma taxa adicional de 12,5% elevaria o gravame total sobre as exportações brasileiras para 37,5%.
O governo brasileiro reagiu com indignação, classificando as medidas como ingerência externa motivada por relatórios da oposição conservadora ligada à família Bolsonaro. Em discurso em Goiás, Lula cobrou explicações diretas de Trump e solicitou uma reunião bilateral.
Segurança e soberania nacional
O Ministério da Fazenda e o corpo diplomático também avaliam as repercussões da decisão do Departamento de Estado dos EUA de classificar as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas estrangeiros.
O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, deve se reunir com autoridades americanas nos próximos dias para analisar o impacto financeiro da medida. Lula já manifestou publicamente a rejeição a intervenções externas na segurança pública, defendendo que o combate ao crime organizado deve ser uma prerrogativa soberana do Estado brasileiro.
Desafios no plano legislativo
No cenário interno, a reunião ministerial busca unificar o discurso do governo em relação a dois temas que polarizam o Congresso Nacional:
- Jornada de trabalho: A aprovação pela Câmara dos Deputados da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) expôs atritos com o Senado. O presidente da Câmara Alta, Davi Alcolumbre, resiste à pressão dos deputados governistas e enviou uma proposta alternativa à Comissão de Constituição e Justiça, sinalizando que o Senado não irá apenas chancelar o texto da outra Casa.
- Vaga no STF: Lula tenta recompor sua articulação política após a rejeição pelo Senado do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF. O presidente confirmou que insistirá na indicação de Messias para a cadeira vaga desde o ano passado, desafiando a maioria parlamentar que também derrubou recentemente o veto presidencial à redução de penas para os envolvidos nos ataques democráticos de 8 de janeiro.
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