da Redação
23 maio 2026
Um policial militar brasileiro e ex-secretário de Cultura do governo de Jair Bolsonaro está no centro de uma investigação jornalística nos Estados Unidos. André Porciúncula, aliado próximo do deputado Eduardo Bolsonaro, passou a usufruir de uma rotina de alto padrão no Texas, vivendo em uma propriedade de luxo avaliada em R$ 3,6 milhões (cerca de US$726 mil). A realidade financeira na América, no entanto, destoa completamente dos dados oficiais apresentados por ele à Justiça Eleitoral brasileira.
A revelação sobre a nova vida do capitão da PM e a incompatibilidade de seus recursos financeiros foi feita a partir de uma investigação conduzida pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e repercutida pelo portal G1.
A conta que não fecha
De acordo com os registros oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Porciúncula disputou uma vaga de vereador em Salvador (BA) pelo Partido Liberal (PL). Na declaração de bens obrigatória, ele informou possuir um patrimônio total de apenas R$ 164 mil — composto basicamente por um carro usado, uma moto e pequenas participações em empresas de segurança.
O valor é considerado irrisório para os padrões do mercado imobiliário norte-americano e representa uma queda drástica de 68% em comparação com 2022, quando ele tentou se eleger deputado federal e declarou R$ 522 mil em bens (incluindo um terreno na região de Brasília que sumiu da lista atual).
A manobra financeira
Para viabilizar a mudança e o padrão de vida milionário no exterior, Porciúncula utilizou uma estrutura financeira complexa:
- O Fundo: A residência foi adquirida formalmente pelo Mercury Legacy Trust.
- O Administrador: O fundo é gerido pelo advogado Paulo Calixto, profissional que também cuida dos interesses jurídicos de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
- A Justificativa: Em entrevista à imprensa, o ex-secretário confirmou ser o verdadeiro dono do imóvel e justificou o uso do fundo como uma estratégia legal de planejamento sucessório americana para reduzir impostos de herança para os filhos.
Conexões sob suspeita
A transação levantou questionamentos porque o operador do fundo, Paulo Calixto, gerencia simultaneamente outra estrutura financeira (chamada Havengate). Essa entidade recebeu um aporte de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar “Dark Horse”, um longa-metragem sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
O histórico do policial no funcionalismo público também é marcado por controvérsias. Antes de se mudar para os EUA em 2023, logo após o término do mandato de Bolsonaro, Porciúncula comandou a área de fomento da Secretaria Especial de Cultura, trabalhando ao lado do ator Mario Frias. No cargo, ele ficou conhecido por adotar uma linha ideológica rígida, bloqueando sistematicamente verbas para projetos culturais que classificava como “de esquerda”.
Atualmente, o ex-funcionário público divide seu tempo na região de Dallas entre a residência de alto padrão e a gestão do Instituto Liberdade, uma entidade local que fundou em parceria com o empresário Paulo Generoso, outro nome ligado à família Bolsonaro.
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