A B3 sinalizou positivamente as declarações de Lula, sobre possível reaproximação entre os dois países. (Foto: EBC)


O dólar comercial caiu nesta terça-feira (23) 0,84%, cotado a R$ 5,28, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana.

A sinalização de possível reaproximação entre os dois países foi interpretada pelo mercado como um movimento de descompressão nas tensões diplomáticas e comerciais, especialmente após a imposição de tarifas de 50% por Washington sobre produtos brasileiros.

Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump afirmou ter tido uma breve interação com Lula, destacando uma “excelente química” entre ambos. “Gostei dele e ele gostou de mim. E eu apenas faço negócios com pessoas de quem eu gosto”, disse o presidente americano. A fala foi recebida como um gesto conciliatório, com potencial para reverter parte das sanções impostas anteriormente e abrir espaço para negociações bilaterais.

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A reação dos ativos domésticos foi imediata. Além da valorização do real, o Ibovespa avançou 1,19%, renovando máxima histórica intradia aos 146.846 pontos. Analistas apontam que o movimento reflete não apenas o alívio nas expectativas de política comercial, mas também a leitura de que o Brasil pode ganhar espaço em uma agenda internacional mais multilateral, como defendido por Lula em seu próprio discurso na ONU.

Segundo Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, “abre-se caminho para o que não havia acontecido até agora: Trump sentando à mesa para conversar com o Brasil. Pode haver flexibilidade nas tarifas e aumento da lista de isenção”.

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada mais cedo, também contribuiu para o movimento do câmbio, ao reforçar o tom duro do Banco Central em relação à trajetória da Selic. No entanto, o fator político-diplomático foi o principal catalisador da sessão.

O mercado segue atento aos desdobramentos do encontro anunciado, que poderá redefinir o tom das relações bilaterais e influenciar a dinâmica dos ativos brasileiros no curto prazo.