Os presidentes Trump e Lula deve sem encontrar no domingo. (Foto: Reproduções)


A anunciada reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, prevista para ocorrer na próxima semana, foi recebida com alívio por banqueiros e representantes do setor financeiro brasileiro. A avaliação é de que o encontro pode reduzir o chamado “risco Magnitsky”, após a sanção da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelos Estados Unidos.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta quarta-feira (24), durante evento no BNDES, no Rio de Janeiro, que houve “boa química” entre Lula e Trump nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Segundo ele, o gesto abre caminho para a resolução do “tarifaço” imposto pelos EUA a produtos brasileiros.

“Ontem houve uma boa química entre os presidentes, que vai nos ajudar a encontrar a melhor solução para resolver um tarifaço que não se justifica”, disse Alckmin. O presidente em exercício destacou que oito dos dez produtos mais importados dos Estados Unidos têm tarifa zero no Brasil, enquanto a tarifa média de entrada é de 2,7%.

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A aproximação entre os dois líderes ocorre em meio à escalada de sanções aplicadas por Washington. Na segunda-feira (22), o governo Trump incluiu Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF, na lista da Lei Global Magnitsky, que prevê bloqueio de bens e restrições a transações com empresas americanas. Moraes já havia sido sancionado em julho.

A medida gerou preocupação entre executivos do setor bancário, que temem que o cerco se amplie para instituições financeiras brasileiras com operações nos Estados Unidos. Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, o encontro entre Lula e Trump foi visto como uma “luz no fim do túnel” e pode evitar que o “risco CNPJ” — sanções contra empresas — se concretize.

Ministros do STF, incluindo Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, se reuniram com representantes de grandes bancos para entender o alcance das sanções. A avaliação é de que, embora as medidas atuais se limitem a pessoas físicas, o ambiente internacional exige cautela.

Durante o evento no BNDES, Alckmin também celebrou indicadores econômicos recentes, como a queda do dólar, a valorização da bolsa e a deflação registrada na última semana. “O Brasil tem um subsolo extremamente rico e pode avançar muito em áreas estratégicas”, afirmou.

A expectativa do governo é que o diálogo entre os chefes de Estado contribua para a revisão das tarifas e para a contenção de medidas que possam afetar a estabilidade institucional e econômica do país.