O governo de São Paulo confirmou nesta segunda-feira (6) 14 casos de intoxicação por metanol, com duas mortes. Outros 178 registros estão sob investigação, incluindo sete óbitos.
A Secretaria de Saúde estadual descartou 15 casos após análise clínica. A Polícia Civil apura se parte da contaminação ocorreu durante a limpeza irregular de vasilhames com metanol, prática identificada em alguns estabelecimentos.
A substância, usada na indústria química e imprópria para consumo humano, tem sido associada à adulteração de bebidas alcoólicas, especialmente destilados como vodca e gim. O metanol é invisível ao paladar e ao olfato, o que dificulta sua identificação. Segundo especialistas, os sintomas iniciais podem ser confundidos com os de uma ressaca comum, mas evoluem rapidamente para quadros graves, como cegueira, insuficiência renal e morte.
Para enfrentar a emergência, o estado adquiriu 2.500 ampolas de álcool etílico absoluto, utilizadas como antídoto no tratamento de intoxicação por metanol. A distribuição foi feita para 20 hospitais de referência. “Temos 20 hospitais que são referência no estado, que têm ampolas com etanol à disposição para começar o tratamento. Os municípios fazem a notificação e encerram os casos, por isso o suporte da Vigilância Sanitária para eles é tão importante”, afirmou o secretário de Saúde, Eleuses Paiva.
A rede estadual também reforçou a estrutura laboratorial para confirmar a presença da substância no organismo dos pacientes. A investigação policial aponta que, além da adulteração de bebidas, o uso de metanol na higienização de garrafas pode ter contribuído para os casos. A prática é considerada irregular e perigosa.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) classificou o problema como estrutural. “Tem um problema aí que é estrutural, é um problema brasileiro, não é de hoje. Quem lembra, há 30 anos, mais ou menos na década de 90, tivemos um caso semelhante na Bahia, com quase 20 óbitos por consumo de bebida adulterada com metanol. Então é algo recorrente”, disse durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes.
Onze estabelecimentos foram interditados cautelarmente, incluindo bares, adegas e distribuidoras. Seis distribuidoras e dois bares tiveram a suspensão preventiva da inscrição estadual. A força-tarefa do governo estadual inclui as secretarias da Saúde, Segurança Pública, Fazenda e Justiça, além da Polícia Civil e da Polícia Federal.
A Secretaria da Saúde orienta que, diante de sintomas como náuseas, visão turva e dores abdominais após o consumo de bebidas alcoólicas, o paciente procure atendimento médico imediato e informe a origem da bebida. O Disque-Intoxicação da Anvisa (0800 722 6001) e o Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (0800 771 3733) estão disponíveis para orientação especializada.
SP faz convênio
O Governo de São Paulo anunciou um convênio com associações do setor de bebidas alcoólicas para ampliar o combate à falsificação no estado.
O tema foi tratado em reunião no Palácio dos Bandeirantes nesta segunda (6).
“O objetivo é resolver esse problema o mais rápido possível, com fiscalização e medidas legais. A gente vai incorporar a iniciativa privada nessas discussões. Esse convênio terá um grande programa de combate às falsificações – treinamento dos agentes de fiscalização para o combate à fraude nas atividades, treinar os comerciantes e divulgar as ações da maneira mais efetiva possível”, afirmou Tarcísio de Freitas.
O convênio com o setor privado deve contemplar o treinamento de agentes públicos e comerciantes para o combate às falsificações, além de campanhas de orientação para que o consumidor saiba identificar bebidas seguras. Também devem ser feitas propostas legislativas voltadas ao endurecimento das regras sobre falsificação e comercialização irregular de produtos.
Outra ação anunciada foi um pedido à Justiça para a destruição dos estoques apreendidos, como bebidas sem comprovação de procedência ou adulteradas, selos falsos e garrafas, para garantir a segurança do setor e da população. Além disso, será criado um canal direto de denúncia para comerciantes que suspeitarem de irregularidades nas bebidas recebidas, permitindo que se manifestem preventivamente e evitem sanções como a cassação da inscrição estadual.
As associações manifestaram apoio às medidas adotadas pelo governo e se colocaram à disposição para colaborar com as ações de controle da distribuição e fiscalização. A reunião ocorre em meio à intensificação das ações.
Um dos pontos destacados pelas associações é a necessidade de controle da cadeia como um todo, da fiscalização da produção e venda de garrafas vazias ao trabalho da gráfica que produz rótulos falsos, por exemplo. Segundo o governador, o Estado está adotando uma postura firme e permanente para garantir a segurança da população.
Paula Lindenberg, CEO da Diageo Brasil, reafirmou o compromisso do setor privado com a segurança do consumidor. “Temos acompanhado a força-tarefa liderada pelo Governo de São Paulo e agradecemos o empenho de todos os envolvidos. Estamos nos colocando à disposição para trabalhar juntos e representar uma solução a ser copiada pelo resto do país”, disse.


