Missionário José Olímpio combatente da “ordem satânica”. (Reprodução: Câmara)


A cassação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), oficializada nesta quinta-feira (18) pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, abriu espaço para o retorno de uma figura conhecida por propostas controversas no Parlamento: o suplente Missionário José Olímpio (PL-SP), de 69 anos.

Olímpio, nascido em Itu (SP) e ligado à Igreja Mundial do Poder de Deus, assume o mandato com um histórico marcado por iniciativas legislativas de forte apelo religioso. Entre elas, destaca-se um projeto apresentado em 2014 contra o que chamou de “nova ordem satânica”. O texto buscava proibir o implante de chips e dispositivos eletrônicos em seres humanos, sob o argumento de que tais tecnologias representariam uma ameaça espiritual e social. A proposta não avançou e acabou arquivada, mas consolidou sua imagem como parlamentar disposto a levar pautas religiosas ao Congresso.

“Já são conhecidos no Brasil diversas iniciativas de implantação de chips como ‘rastreadores pessoais’ que pretensamente simulam uma ferramenta de segurança na medida […]. Entretanto, o povo brasileiro não se deve iludir com tais artifícios, que escodem uma verdade nua e cruel: há um grupo de pessoas que busca monitorar e rastrear cada passo de cada ser humano, a fim de que uma satânica Nova Ordem Mundial seja implantada”, justificou à época.

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Desde que assumiu a função, em março, Olímpio não apresentou um projeto de lei e discursou 11 vezes no plenário.

Olímpio emprega apenas um funcionário no gabinete – Eduardo Nonato de Oliveira, que trabalhava com Eduardo, e recebe R$ 23.732,92 por mês.

Perfil político

  • Comerciante e bacharel em direito, Olímpio foi vereador por seis mandatos em Itu e deputado federal por dois períodos, entre 2011 e 2019.
  • Em 1997, ocupou o cargo de subprefeito de Guaianazes, na gestão de Celso Pitta em São Paulo.
  • Ao longo da carreira, passou por partidos como MDB, PP, DEM e União antes de se filiar ao PL.

Nas redes sociais, o deputado se apresenta como defensor dos “valores cristãos e familiares” e mantém proximidade política com Jair Bolsonaro. Em 2022, recebeu 61.938 votos, o que o colocou como suplente mais bem votado da legenda em São Paulo.

Atualmente, Olímpio continua fornecendo suporte ao ex-presidente e demonstrou simpatia com a taxação de 50% sobre os produtos nacionais instituída pelo presidente americano, Donald Trump, que foi informada por meio de carta que pedia o fim do julgamento do ex-presidente por tentativa de golpe.

“O Brasil tem que viver sua democracia. Por isso, recebemos este apoio do presidente Trump. Porque ele (Donald Trump) está preocupado com a democracia, está preocupado com o País”, afirmou o deputado em vídeo publicado no seu Instagram.
Na gravação, José Olímpio afirmou que “estamos vivendo uma ditadura”. “Veja o que o presidente Bolsonaro está passando”, disse. Em declarações passadas, ele disse que Bolsonaro “não deveria ser julgado da forma que está”.

Contexto da cassação

Eduardo Bolsonaro perdeu o mandato por excesso de faltas — 63 ausências em 78 sessões realizadas em 2025. A decisão foi assinada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e outros quatro membros da Mesa Diretora.

A medida não torna Eduardo inelegível de imediato, mas ele ainda responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de influenciar julgamentos relacionados ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.