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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), minimizou nesta segunda-feira (6) a crise de intoxicação por metanol em bebidas falsificadas ao afirmar que “só vai se preocupar no dia em que começarem a falsificar Coca-Cola”. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa sobre segurança pública e gerou críticas de especialistas e parlamentares.
O estado de São Paulo concentra cerca de 85% dos casos registrados no país, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. Desde agosto, mais de 190 pessoas foram intoxicadas, com ao menos 18 mortes confirmadas. A maioria dos casos envolve consumo de destilados incolores, como vodca e gin, vendidos em garrafas reaproveitadas.
Tarcísio afirmou que há uma “crise de confiança” no setor de bebidas e que o governo está atuando para identificar os responsáveis. “Estamos investigando, mas não há indícios de que o crime organizado esteja envolvido. É um mercado de baixo valor agregado”, disse. A Polícia Civil trabalha com duas hipóteses: uso de metanol para higienização de garrafas ou adulteração para aumentar o volume das bebidas.
A fala do governador repercutiu nas redes sociais e foi criticada por entidades como a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), que defende a reativação do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), desativado em 2016. Especialistas alertam que o metanol é altamente tóxico e pode causar cegueira, coma e morte mesmo em pequenas doses.
O Ministério da Saúde anunciou a compra de antídotos como fomepizol e reforçou a recomendação para que consumidores adquiram bebidas apenas em locais confiáveis, verifiquem lacres e rótulos, e inutilizem garrafas vazias para evitar reutilização por falsificadores


