O Tesouro Nacional rejeitou a proposta de empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios porque os bancos exigiam juros de 136% do CDI, acima do teto de 120% fixado pelo Comitê de Garantias. A decisão levou a estatal a suspender a operação e abrir nova rodada de negociações.
O financiamento seria contratado junto a um consórcio formado por Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, Safra e ABC Brasil. O objetivo era garantir liquidez imediata e financiar o plano de reestruturação da empresa, que acumula prejuízos bilionários nos últimos anos.
Segundo técnicos do Tesouro, “os juros propostos estão acima do limite estabelecido pelo Comitê de Garantias, que é de 120% do CDI”. Os bancos defendem que a taxa de 136% reflete o risco da operação, mesmo com a garantia da União.
O Conselho de Administração dos Correios havia aprovado a contratação em 29 de novembro. Em reunião realizada em Brasília no dia 2 de dezembro, o Tesouro vetou a proposta. Após o veto, a estatal comunicou a suspensão da operação e informou que apresentará contraproposta dentro dos parâmetros aceitos pelo órgão.
“A suspensão da operação foi necessária para adequar a proposta às condições estabelecidas pelo Tesouro. As negociações continuam”, disse a empresa em nota.
A crise
Os Correios atravessam uma das maiores crises financeiras entre estatais brasileiras. Em 2025, a empresa acumula prejuízo superior a R$ 6 bilhões até setembro, com projeção de rombo de até R$ 10 bilhões no ano. O déficit da estatal representa mais da metade das perdas previstas para todas as empresas públicas federais. A situação obrigou o governo a bloquear gastos de ministérios para compensar o impacto nas contas.
A deterioração começou com a perda de participação no mercado de entregas, dominado por concorrentes privados e plataformas digitais. A queda de receitas se somou a custos elevados com pessoal, processos judiciais e manutenção de agências deficitárias. Nos últimos dez anos, a estatal registrou prejuízo em cinco, consumindo R$ 2,9 bilhões de caixa apenas em 2024.
Para tentar reverter o quadro, a direção dos Correios lançou um plano de reestruturação que prevê demissão voluntária, fechamento de mil agências, venda de imóveis e parcerias estratégicas. A meta é reduzir despesas e levantar cerca de R$ 1,5 bilhão em ativos. Mesmo assim, técnicos do governo avaliam que o risco de insolvência permanece alto.
A crise dos Correios, portanto, deixou de ser apenas um problema empresarial e passou a ser um desafio fiscal para o governo, que precisa decidir entre socorrer a estatal ou impor cortes em outras áreas para equilibrar as contas públicas.



