A economista Ana Toni, diretora-executiva da COP30 (Foto: Coletivo Garapa/Wikimedia Commons)

Em meio à devastação provocada pelo tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, na noite de sexta-feira (7), autoridades e especialistas voltaram a alertar para os impactos da crise climática sobre o desenvolvimento econômico e social do país.

O fenômeno, que deixou ao menos seis mortos e mais de 750 feridos, foi classificado por Ana Toni, diretora-executiva da COP30, como “uma evidência incontornável de que estamos falando sobre prosperidade e bem-estar das pessoas”.

“Seja o furacão na Jamaica, o tornado no Sul, esses eventos são mais uma grande evidência de que estamos falando sobre desenvolvimento”, afirmou Toni em entrevista ao UOL. “É sobre prosperidade porque o que foi devastado são as casas das pessoas, as escolas, estradas — isso é desenvolvimento. A mudança no clima é o maior acelerador de pobreza e desigualdade. Se não atuarmos nisso, estamos condenando populações inteiras ao subdesenvolvimento e à pobreza”.

A fala da diretora foi feita às vésperas da Conferência do Clima (COP30), que será realizada em Belém a partir desta segunda-feira (10), e reforça o tom de urgência que vem sendo adotado por representantes da presidência do evento. Em carta oficial divulgada semanas antes da abertura da conferência, o embaixador André Corrêa do Lago escreveu: “À medida que a era dos alertas dá lugar à era das consequências, a humanidade se depara com uma verdade profunda: a adaptação deixou de ser uma escolha”.

O tornado, com ventos que chegaram a 250 km/h, destruiu cerca de 80% da infraestrutura de Rio Bonito do Iguaçu, segundo relatos da imprensa internacional. A cidade, com cerca de 14 mil habitantes, teve bairros inteiros arrasados, e os bombeiros ainda mantêm operações de busca e resgate nas áreas afetadas Terra.

Para Mariana Belmont, assessora de Clima e Racismo Ambiental do Instituto Geledés, o episódio não pode ser tratado como um desastre natural isolado. “Esses eventos extremos, que antes pareciam raros, estão se tornando frequentes e intensos justamente por causa do aquecimento global. O tornado é uma consequência social e política do que vivemos”, disse à Agência Brasil.

A tragédia também reacendeu o debate sobre a baixa prioridade dada à adaptação climática nas agendas internacionais. Embora tenha sido abordada em uma mesa-redonda presidida por Luiz Inácio Lula da Silva, com líderes da Irlanda e da União Africana, o tema recebeu menos atenção em comparação ao combate aos combustíveis fósseis e ao desmatamento Exame.