O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país iniciará ataques terrestres contra cartéis de drogas no México, ampliando a ofensiva militar que começou com operações especiais na Venezuela.
A declaração foi feita durante entrevista à Fox News, menos de uma semana após forças norte-americanas capturarem o presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma ação que gerou reações intensas na América Latina.
“Derrubamos 97% das drogas que entram pela água, e agora vamos começar a atingir em terra,” afirmou Trump. “Os cartéis estão comandando o México. É muito, muito triste ver o que aconteceu com aquele país.”
A fala marca uma escalada significativa na política externa dos Estados Unidos, com foco no combate ao narcotráfico transnacional. Segundo o presidente, os cartéis mexicanos foram oficialmente classificados como organizações terroristas, o que abre caminho legal para ações militares diretas em território estrangeiro.
Reações no México
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum reagiu com veemência à declaração de Trump, classificando qualquer intervenção militar como uma violação da soberania nacional.
“O México não aceitará ataques em seu território. A luta contra o narcotráfico é nossa responsabilidade, e não será conduzida sob ameaças externas,” disse Sheinbaum em pronunciamento oficial.
Apesar da tensão diplomática, o governo mexicano confirmou que entregou recentemente líderes de cartéis às autoridades norte-americanas, como parte de um acordo bilateral de cooperação no combate ao tráfico de drogas.
Contexto regional
A ofensiva anunciada por Trump ocorre em um momento de instabilidade na região. A operação militar na Venezuela, que resultou na captura de Maduro, foi justificada pela Casa Branca como uma ação contra “um regime que protege o narcotráfico e ameaça a segurança hemisférica”.
Analistas internacionais apontam que a nova postura dos Estados Unidos representa uma mudança estratégica, com foco em ações diretas contra redes criminosas transnacionais, mesmo que isso implique riscos diplomáticos e militares.
“Estamos lidando com terroristas, não apenas traficantes,” disse Trump. “Se o México não agir, nós agiremos.”
Repercussão internacional
A comunidade internacional acompanha com preocupação os desdobramentos. A Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma reunião extraordinária para discutir a legalidade das ações militares dos EUA na região. Já o governo brasileiro, por meio do Itamaraty, expressou “profunda preocupação com a escalada de tensões” e pediu “respeito à soberania dos países latino-americanos”.


