Moisés Rabinovici


Moisés Rabinovici*

Israel voltou a atacar o bastião do Hezbollah em Beirute para matar o comandante da força de elite Radwan, Malek Balout, seu vice e outros militares reunidos no local. Havia um mês e meio que caças israelenses não sobrevoavam a capital libanesa. A violação do cessar-fogo foi “coordenada com os EUA”, disseram fontes do governo Netanyahu.

No mesmo dia em que o presidente Donald Trump falou em “grandes progressos” para um acordo com o Irã, um caça americano F-18 disparou contra o leme do petroleiro iraniano Hasna, no Golfo de Omã, depois de o navio ignorar “repetidas advertências”. O petroleiro ficou à deriva.

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A Casa Branca oscilou entre o otimismo de concluir um “memorando de entendimento” com o Irã e novas ameaças militares. Trump rebaixou a guerra a uma “escaramuça”, afirmou que o urânio iraniano ficará sob custódia dos Estados Unidos e disse que ambos os países suspenderão os bloqueios no Estreito de Ormuz.

Um dos 14 pontos do memorando de uma página prevê um cessar-fogo no Líbano, separado da trégua que deveria vigorar desde o mês passado, mas que Hezbollah e Israel violam diariamente.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou nesta quarta-feira que Teerã revisa o plano americano para encerrar a guerra. Outra fonte iraniana disse à agência ISNA, porém, que o memorando apresentado pelos EUA não passa de uma “lista de desejos”.

Forças israelenses em ação dentro do Libano. (Foto: IDF)

“Se eles não concordarem, os bombardeios recomeçarão”, escreveu Trump em sua rede Truth Social, “em intensidade muito maior”. Ontem, porém, o secretário de Estado Marco Rubio afirmara à imprensa que “a guerra tinha acabado”.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou pelo rádio que novos ataques americanos continuam possíveis. “Podemos dar nossas vidas, mas não nos renderemos”, declarou. A pressa é de Trump, que quer encerrar a guerra antes de sua viagem à China, na próxima semana, e aliviar a pressão sobre os mercados financeiro e de petróleo.

Israel não acredita em acordo próximo entre Washington e Teerã e negou ter sido surpreendido pelas declarações otimistas da Casa Branca. Netanyahu e Trump “mantêm contato contínuo diariamente, e seus estafes trocam informações”, disse um porta-voz em Jerusalém. Segundo ele, Israel está pronto para “terminar o trabalho” caso a trégua seja rompida.

Antes do novo ataque ao sul de Beirute, forças israelenses atingiram a casa do prefeito da aldeia de Zellaya, no Vale de Bekaa. O Ministério da Saúde libanês informou quatro mortos e cinco feridos, entre eles mulheres e crianças. Entre o alerta de evacuação de 11 aldeias e o início dos bombardeios não houve tempo suficiente para a fuga da população.

Israel também ampliou os ataques em Gaza. Azzam al-Hayya, filho do líder do Hamas Khalil al-Hayya, foi morto em Daraj. Seu irmão, Imam al-Hayya, já havia morrido em outro ataque israelense no Catar, em setembro de 2025.

*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.