Um navio de guerra da Rússia chegou nesta sexta-feira (9) a uma base naval na costa sul-africana para participar de exercícios militares ao lado de embarcações da China e do Irã. As manobras, previstas para durar uma semana, devem começar neste sábado e podem aumentar a tensão entre Pretória e Washington.
No início da semana, um contratorpedeiro, um navio de reabastecimento da China e uma embarcação iraniana de apoio avançado já haviam atracado em águas sul-africanas.
A China lidera o exercício “Will for Peace 2026”, que reúne marinhas dos países do grupo BRICS ampliado, hoje com 11 integrantes. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a iniciativa como “antiamericana”.
A Marinha da África do Sul informou que ainda confirmaria os detalhes das embarcações participantes. Segundo comunicado da Força de Defesa sul-africana, o objetivo é “trocar melhores práticas e aprimorar capacidades operacionais conjuntas, contribuindo para a segurança das rotas marítimas e para a estabilidade regional”.
Contexto internacional
Rússia e Irã estreitaram laços durante a guerra na Ucrânia. Teerã fornece drones usados por Moscou em ataques contra alvos civis e infraestrutura. Nesta semana, os EUA apreenderam um petroleiro russo acusado de integrar uma frota clandestina que transporta petróleo para países como Venezuela e Irã. Washington também ameaçou novas sanções caso o governo iraniano reprima violentamente os protestos internos contra o aumento do custo de vida.
Os exercícios estavam inicialmente marcados para novembro de 2025, mas foram adiados por causa da cúpula do G20 em Joanesburgo.
Os EUA boicotaram o encontro, alegando divergências com a África do Sul devido à sua aproximação com Moscou e Teerã.
Política migratória
Em outubro, a administração Trump anunciou que reduziria para 7.500 o número de refugiados aceitos por ano, dando prioridade a sul-africanos brancos. O governo da África do Sul rejeitou a medida, afirmando que não há discriminação contra esse grupo no país. “É lamentável que a reinstalação de sul-africanos nos Estados Unidos, sob o pretexto de serem refugiados, seja motivada por razões políticas e destinada a minar nossa democracia constitucional”, declarou o Ministério das Relações Interiores.





