Tropas da Guarda Nacional enviadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegaram à região metropolitana de Chicago nesta terça-feira (7) e se preparam para patrulhar a terceira maior cidade do país. A operação marca uma escalada nas tensões entre o governo federal e as autoridades locais, ambas democratas.
Cerca de 300 soldados da unidade do Texas foram designados para a missão. Eles estão instalados em um centro da Reserva do Exército em Elwood, a 50 km de Chicago, onde recebem treinamento. Segundo a Casa Branca, o objetivo é “proteger ativos federais e restaurar a ordem” diante do que Trump chamou de “crime fora de controle”.
O governador de Illinois, JB Pritzker, e o prefeito de Chicago, Brandon Johnson, reagiram com críticas duras. Pritzker afirmou ter recebido um ultimato do Departamento de Guerra e classificou a ação como “antiamericana e fabricada”. Johnson disse que a cidade não precisa de intervenção militar e acusou Trump de usar tropas como “peões políticos”.
A tensão aumentou após protestos contra operações de imigração em centros de detenção. Uma mulher foi baleada por agentes federais durante uma manifestação, o que levou a novas críticas à atuação do governo. Trump afirmou que os líderes locais “deveriam ser presos” por não protegerem os agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega).
Illinois entrou com uma ação judicial para impedir o destacamento das tropas, alegando que a medida viola a Lei Posse Comitatus, que restringe o uso de forças militares em assuntos civis. Trump, por sua vez, disse estar disposto a invocar a Lei da Insurreição, de 1807, caso os tribunais bloqueiem suas ordens.
A operação em Chicago se soma a outras ações semelhantes em cidades como Los Angeles, Portland e Washington, todas governadas por democratas. Em Portland, uma juíza federal já bloqueou temporariamente o envio de tropas, decisão que pode ser prorrogada até 19 de outubro.
Apesar das alegações de Trump, dados da polícia de Chicago mostram queda nos índices de criminalidade, incluindo homicídios. A cidade registrou 573 assassinatos em 2024, 8% a menos que no ano anterior.





