Os países da União Europeia decidirão sanções aos EUA. (Foto: Divulgacão)


A União Europeia discute impor tarifas de € 93 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado do bloco em resposta às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia. A informação foi publicada pelo jornal britânico Financial Times.

Segundo o jornal, as medidas de retaliação estão sendo preparadas para dar poder de barganha aos líderes europeus em reuniões com Trump durante o Fórum Econômico Mundial, que acontece nesta semana em Davos, na Suíça.

Reunião emergencial

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A lista de tarifas foi elaborada no ano passado, mas suspensa até 6 de fevereiro para evitar uma guerra comercial. O tema voltou à pauta neste domingo (18), em reunião emergencial com os 27 embaixadores da UE. Também foi discutido o chamado instrumento anticoerção (ACI), que pode limitar o acesso de empresas americanas ao mercado interno.

Trump prometeu no sábado (17) impor tarifas de 10% até 1º de fevereiro sobre produtos de países europeus que enviaram tropas para a Groenlândia em um exercício militar. Entre eles estão Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.

Um diplomata ouvido pelo Financial Times disse que “existem instrumentos claros de retaliação à disposição caso isso continue” e acusou Trump de usar “métodos mafiosos”. Outro diplomata defendeu reduzir a tensão antes de ameaças diretas.

França e Alemanha coordenam resposta

A França pediu que o bloco use o ACI, instrumento criado em 2023 e nunca utilizado. Ele prevê restrições a investimentos e pode limitar exportações de serviços, como os de grandes empresas de tecnologia americanas.

França e Alemanha coordenam uma resposta conjunta. Os ministros das Finanças dos dois países devem se reunir em Berlim nesta segunda-feira (19).

Von der Leyen reforça soberania

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou em redes sociais que o bloco está comprometido em defender a soberania da Groenlândia e da Dinamarca. Ela disse ter conversado com líderes da Otan e chefes de governo de França, Alemanha, Reino Unido e Itália.

“Juntos, reafirmamos nosso compromisso de defender a soberania da Groenlândia e do Reino da Dinamarca”, escreveu.

Von der Leyen afirmou ainda que a UE vai proteger seus interesses estratégicos e de segurança. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, convocou reunião extraordinária de líderes “nos próximos dias” para discutir as tensões transatlânticas.

Compromisso europeu

Em comunicado, Costa disse que a UE mantém “forte compromisso” com a lei internacional, integridade territorial e soberania nacional. Ele reiterou apoio à Dinamarca e à Groenlândia e destacou o interesse comum pela paz e segurança no Ártico.

Segundo Costa, tarifas minariam as relações com os EUA e violariam o acordo comercial entre os dois lados. Ele afirmou que o bloco está pronto para se defender de qualquer forma de coerção, mas também disposto a se engajar “construtivamente” com Washington.