O governo da Venezuela decretou nesta segunda-feira (29) estado de exceção nacional, alegando risco de agressão militar por parte dos Estados Unidos. A medida concede poderes especiais ao presidente Nicolás Maduro para atuar em áreas como defesa, segurança e comunicação.
O anúncio foi feito pela vice-presidente Delcy Rodríguez, que classificou a movimentação de tropas norte-americanas no Caribe como uma “provocação direta”. “Estamos diante de uma ameaça real e iminente. O presidente Maduro decretou estado de comoção externa para proteger a soberania nacional”, disse Rodríguez em rede nacional.
O decreto, publicado no Diário Oficial, tem validade inicial de 60 dias e pode ser prorrogado. Ele permite ao presidente tomar decisões sem necessidade de aprovação legislativa, em caso de ataque externo.
O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, afirmou que as Forças Armadas estão em “alerta máximo” e que o país responderá “com firmeza” a qualquer incursão militar.
Washington não comentou oficialmente o decreto. Fontes do Departamento de Estado indicaram que os exercícios militares na região são rotineiros e não têm como alvo a Venezuela.
A oposição criticou a medida. “Maduro usa o medo da guerra para justificar mais autoritarismo”, escreveu a ex-deputada María Corina Machado em rede social.
Organizações internacionais expressaram preocupação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu “moderação e diálogo”.
A Venezuela enfrenta uma grave crise econômica, com inflação superior a 300% e escassez de produtos básicos. Segundo a ACNUR, mais de 7,7 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2015.


