Ao menos 25 pessoas morreram na cidade de Slantsy, na região de Leningrado, após consumirem vodca falsificada adulterada com metanol, segundo informações divulgadas pela Procuradoria regional e confirmadas por agências russas como TASS, Interfax e RIA Novosti.
A bebida foi produzida ilegalmente a partir de álcool bruto fornecido por um morador local, em uma operação clandestina que chocou o país pela escala e letalidade.
De acordo com o Comitê de Investigação da Rússia, os primeiros casos de intoxicação foram registrados no início da semana passada.
Exames forenses realizados em pelo menos oito vítimas confirmaram níveis fatais de metanol — um tipo de álcool industrial altamente tóxico, usado em solventes e combustíveis, mas jamais destinado ao consumo humano.
“O exame forense dos corpos de seis pessoas falecidas revelou níveis altos ou fatais de metanol”, declarou um porta-voz do Comitê à agência TASS.
As autoridades prenderam ao menos 14 pessoas envolvidas na produção e distribuição da bebida.
Entre os detidos estão Olga Stepanova, professora de jardim de infância de 60 anos, acusada de fornecer o álcool bruto, e Nikolai Boytsov, aposentado de 78 anos, apontado como responsável pelo engarrafamento e distribuição da vodca em uma instalação improvisada.
Segundo a RIA Novosti, mais de 1.300 litros de bebidas falsificadas foram apreendidos em operações de busca realizadas em Slantsy e arredores.
A Procuradoria da região de Leningrado informou que três processos criminais foram abertos, incluindo acusações de produção e venda de produtos perigosos à saúde, homicídio culposo e violação das normas sanitárias. As investigações continuam, com buscas em depósitos e residências ligadas à rede clandestina.
A tragédia reabre o alerta sobre o consumo de bebidas alcoólicas não regulamentadas na Rússia, especialmente em áreas rurais e economicamente vulneráveis. Em declarações à Interfax, autoridades locais lamentaram o ocorrido e prometeram reforçar a fiscalização sobre o comércio de álcool.
“É uma tragédia que poderia ter sido evitada. Estamos intensificando as inspeções e trabalhando com as comunidades para conscientizar sobre os riscos do consumo de produtos não certificados”, afirmou o governador da região de Leningrado, Aleksandr Drozdenko.
A única sobrevivente internada permanece em estado grave, segundo boletim médico divulgado pelo hospital regional. Familiares das vítimas exigem punição exemplar aos responsáveis e maior controle sobre a circulação de álcool no país.
Este não é o primeiro caso de intoxicação em massa por metanol na Rússia. Em 2021, uma série de mortes semelhantes ocorreu na região de Oremburgo, levando à proibição temporária da venda de bebidas alcoólicas em estabelecimentos não licenciados. Especialistas alertam que o metanol pode causar cegueira, falência renal e morte mesmo em pequenas doses.
A cidade de Slantsy, com cerca de 30 mil habitantes, está em luto. Velórios coletivos estão sendo organizados, e a prefeitura decretou estado de emergência sanitária. A tragédia expõe, mais uma vez, os riscos da informalidade e da negligência diante de substâncias potencialmente letais.


