O banqueiro Daniel Vorcaro, cuja delação pode comprometer muita gente importante.(Reprodução)


A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, concluiu nesta terça-feira (5) os anexos de sua delação premiada e entregou o material à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo informações obtidas com fontes da PF, o conteúdo, armazenado em um pendrive, será submetido a exame técnico pela Polícia

Federal e pela PGR, que devem avaliar a consistência das informações e, se necessário, solicitar dados complementares.

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De acordo com os investigadores, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), foi informado da entrega na noite de terça-feira. Vorcaro permanece preso na Superintendência da PF em Brasília.

A expectativa é que a etapa de verificação leve de um a dois meses. Nesse período, PF e PGR vão checar os relatos, cruzar dados e definir se há elementos suficientes para avançar na negociação. Apenas após essa fase o ministro Mendonça decidirá se homologa ou não o acordo.

O eixo da delação envolve a devolução de bilhões de reais em recursos financeiros e a eventual comprovação de atos de ofício atribuídos a autoridades mencionadas. Investigadores ressaltam que o acordo segue critérios técnicos, sem exclusões ou alvos previamente definidos.

Tecnicamente, o próximo passo será a análise detalhada dos anexos: se o conteúdo sustenta a delação, se precisará de ajustes ou se novas exigências serão impostas antes de eventual homologação.

Delação de Paulo Henrique Costa

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que tenta delação e está preso. (Foto: Divulgação)

Já a delação premiada do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa entrou em uma fase decisiva e já movimenta o cenário político do Distrito Federal. Preso desde 16 de abril na Papuda, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em esquema bilionário envolvendo o BRB e o Banco Master, Costa negocia com a Procuradoria-Geral da República um acordo de colaboração premiada.

Sua defesa pediu ao Supremo Tribunal Federal a transferência para uma sala de estado-maior na sede da Polícia Federal em Brasília, alegando que isso facilitaria as tratativas e garantiria sua segurança.

Nos bastidores, Costa afirma possuir provas documentais contra o ex-governador Ibaneis Rocha e contra a atual governadora Celina Leão, além de citar ministros do Tribunal de Contas da União, dirigentes partidários do Centrão, funcionários do Banco Central e deputados distritais. A inclusão de Celina Leão como alvo da delação surpreendeu o meio político. A governadora reagiu publicamente dizendo ter “preocupação zero” com as acusações, destacando que sua gestão já entregou auditorias à Polícia Federal e ao Judiciário. Adversários, como o deputado Leandro Grass, afirmam que ela estaria em “pânico” diante da possibilidade de homologação da delação.

A Operação Compliance Zero, que deu origem à prisão de Costa, apura um esquema de propinas e lavagem de dinheiro por meio de imóveis de alto valor (R$ 146 milhões). Segundo investigadores, o ex-presidente do BRB já apresentou uma lista com cerca de 20 episódios de irregularidades que pretende detalhar. A homologação pelo STF é o próximo passo e pode desencadear desdobramentos imediatos contra autoridades em exercício, com potencial de alterar o quadro eleitoral no Distrito Federal em pleno ano de disputa.