A noite desta quinta-feira (11) promete ser diferente. É quando começa a temporada da mais intensa chuva de meteoros visível no Brasil: as Geminidas. O espetáculo celeste poderá ser acompanhado até a madrugada de terça-feira (16), com auge previsto para a noite de sábado para domingo (13 para 14).
O que são as Geminidas
As Geminidas fazem referência à constelação de Gêmeos e são conhecidas por sua intensidade. Popularmente chamadas de “estrelas cadentes”, são meteoros que entram na atmosfera terrestre em grande quantidade, parecendo vir de um mesmo ponto do céu, o chamado radiante.
O Observatório Nacional (ON) explica que adota o termo “Geminidas”, mas também é correto usar “geminídeos”. O professor Gabriel Hickel, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), autor do guia de observação elaborado a pedido do ON, lembra: “No fundo, todos estão certos”.
Quando observar
Segundo Hickel, o melhor horário é entre 22h e o amanhecer. A Lua, em fase de minguante para nova, pode atrapalhar os meteoros mais fracos, que são justamente os mais numerosos.
Por isso, recomenda-se observar entre 22h30 e meia-noite nas noites de 11, 12 e 13, quando a Lua estará baixa. Nos dias 14 e 15, o ideal é entre 22h20 e 2h.
Melhores noites e horários
O pico está previsto para as 5h do dia 14. A melhor visão será na América do Norte e Caribe, mas o máximo se estende por cerca de 12 horas, o que torna proveitosa a observação também nas noites anterior e posterior.
Quantos meteoros esperar
Em condições ideais — céu limpo, longe de cidades e sem Lua —, o número de meteoros por hora varia conforme a região:
A margem de erro é de 15% para mais ou para menos.
Como observar
Não é preciso telescópio ou binóculo. O ideal é procurar um lugar escuro, longe da poluição luminosa, com horizonte livre. Deitar-se em uma cadeira de praia ajuda a ampliar o campo de visão.
Dicas do professor Gabriel Hickel:
aguarde 15 minutos para os olhos se acostumarem à escuridão;
observe por pelo menos uma hora;
evite olhar diretamente para a Lua;
não espere espetáculo pirotécnico, mas sim paciência para ver dezenas de meteoros.
Origem das Geminidas
A maioria das chuvas de meteoros vem de fragmentos de cometas. As Geminidas, porém, têm origem no asteroide 3200 Faetonte, do grupo Apolo. Estudos indicam que ele é o núcleo rochoso de um antigo cometa, com cerca de 6 km de diâmetro.
Em dezembro, a Terra cruza sua esteira de fragmentos, provocando de 100 a 1.000 meteoros por hora em latitudes próximas a +33°. Eles entram na atmosfera a 35 km/s, velocidade suficiente para produzir rastros luminosos visíveis por até um segundo.
O radiante está na constelação de Gêmeos, próximo à estrela Pollux. Neste ano, Júpiter estará visível na mesma região, facilitando a localização.
Cores e características
Os Geminidas são meteoros de brilho variado, com colorações que vão do amarelo intenso ao verde e laranja. Alguns deixam rastros persistentes de ionização, visíveis por alguns segundos. Há relatos de meteoros que chegam a se fragmentar em partes menores.
Termo “chuva de meteoros”
A expressão ganhou popularidade em 1833, quando os Leonidas produziram quase mil meteoros por minuto nos céus da América do Norte. As Geminidas não atingem tal intensidade, mas são consideradas uma das chuvas mais importantes do calendário astronômico.


