A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) apresentou neste domingo (14) sua renúncia ao mandato à Câmara dos Deputados. A informação foi confirmada pela assessoria da presidência da Casa. Com a saída, assume a vaga o suplente do Partido Liberal em São Paulo, Adilson Barroso, que foi o mais votado entre os suplentes da legenda nas últimas eleições.
A renúncia ocorre após uma semana de embates institucionais. Na quarta-feira (10), o plenário da Câmara decidiu rejeitar o pedido de cassação do mandato da deputada, que não alcançou os 257 votos necessários. Dois dias depois, na sexta-feira (12), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, por unanimidade, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a perda automática do mandato de Zambelli.
Apesar da decisão do STF, a medida ainda não havia sido formalmente comunicada à Câmara, o que permitiu que a parlamentar apresentasse o pedido de renúncia antes da efetivação da cassação. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que a iniciativa fez parte de uma estratégia da defesa, com o objetivo de ampliar as possibilidades jurídicas da deputada no exterior.
Carla Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por comandar a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto, para a inserção de documentos falsos, incluindo um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. A sentença transitou em julgado em junho, resultando também na suspensão de seus direitos políticos.
Além desse processo, a deputada foi condenada a mais 5 anos e 3 meses de prisão pela perseguição armada a um eleitor do presidente Lula, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Zambelli deixou o país, foi considerada foragida e acabou presa nos arredores de Roma. O governo brasileiro solicitou sua extradição, pedido que ainda aguarda análise da Justiça italiana.


