O Governo dos Estados Unidos e o Paraguai assinaram nesta segunda-feira (15) um Acordo de Cooperação Militar que prevê a presença de tropas e civis norte-americanos em território paraguaio.
O pacto, rubricado pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e pelo chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, marca um novo capítulo na política de segurança regional e insere o país sul-americano na estratégia global de defesa delineada pela Casa Branca no início do mês.
“O acordo fortalece nossa capacidade conjunta de enfrentar ameaças transnacionais e de responder a crises humanitárias”, declarou Rubio, ao destacar que a América Latina foi definida como “esfera prioritária de interesse estratégico” pela nova doutrina militar dos EUA.
Por sua vez, Ramírez Lezcano afirmou que o pacto “não compromete a soberania nacional” e que o Paraguai “ganha um aliado fundamental no combate ao narcotráfico e ao crime organizado”. O ministro ressaltou que a cooperação inclui treinamento conjunto, apoio logístico e operações de assistência em casos de desastres naturais.
Contexto geopolítico
O acordo ecoa a Doutrina Monroe, formulada no século XIX, que estabelecia a América como área de influência exclusiva dos Estados Unidos. A decisão de Trump de reforçar a presença militar na região é interpretada por analistas como uma resposta à crescente atuação da China e da Rússia na América do Sul, seja por meio de investimentos estratégicos ou cooperação em defesa.
“O Paraguai se converte em peça-chave de uma política de contenção”, avalia o cientista político Juan Carlos Garcete, da Universidade Nacional de Assunção. “Washington busca consolidar posições em países considerados aliados confiáveis, enquanto observa com preocupação a aproximação de vizinhos como Brasil e Argentina com potências extra-hemisféricas.”
Repercussão
O presidente paraguaio, Santiago Peña, celebrou o pacto como “um passo histórico para a segurança regional”. Já setores da oposição criticaram a medida, alegando que a presença de tropas estrangeiras pode gerar tensões internas e regionais.
Em Washington, o acordo foi apresentado como parte de uma estratégia mais ampla de “projeção de poder” no hemisfério ocidental. “Estamos reafirmando que a América Latina é vital para a segurança dos Estados Unidos”, disse John Miller, porta-voz do Departamento de Defesa.


