Correios | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil


O Tesouro Nacional aprovou nesta quinta-feira a operação de crédito de 12 bilhões de reais aos Correios, envolvendo um consórcio de cinco instituições financeiras. Com o aval da União, a estatal poderá contar com juros mais baixos para quitar dívidas e estruturar seu plano de recuperação institucional. Segundo nota divulgada pelo Ministério da Fazenda, a operação respeitou os limites de juros estipulados pelo Tesouro, o que representará uma economia de 5 bilhões de reais em encargos na comparação com a primeira proposta, que havia sido recusada pelo órgão.

O Tesouro informou que a negociação aprovada implica uma redução substancial do custo financeiro para a companhia. Fontes a par da operação afirmam que o empréstimo terá juros de 115% do CDI, com carência de três anos e prazo total de 15 anos para o pagamento. O montante será dividido entre cinco bancos: Caixa Econômica Federal, Bradesco e Banco do Brasil emprestarão 3 bilhões de reais cada um, enquanto Itaú e Santander aportarão 1,5 bilhão de reais cada.

A entrada dos recursos já gera reflexos imediatos na gestão de pessoal. Em comunicado aos empregados, os Correios afirmaram que realizarão o pagamento do décimo terceiro salário nesta sexta-feira, 19. A empresa destacou que, apesar do momento desafiador, a diretoria fez um esforço adicional para garantir o depósito aos funcionários. A operação foi viabilizada após o Conselho Monetário Nacional (CMN) revisar os limites para a contratação de operações de crédito pelo setor público em 2025, abrindo espaço para o aval federal.

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O cenário financeiro da estatal, entretanto, ainda é de alerta. De janeiro a setembro deste ano, os Correios registraram um prejuízo de 6,05 bilhões de reais, número que pode chegar a 10 bilhões de reais em dezembro. Embora os 12 bilhões de reais aprovados sejam inferiores aos 20 bilhões inicialmente previstos no plano de reestruturação para cobrir obrigações até 2026, o valor garantirá fôlego para regularizar o pagamento de fornecedores e outras dívidas imediatas.

Com o novo crédito, a empresa pretende quitar uma dívida de 1,8 bilhão de reais, financiar um programa de desligamento voluntário (PDV) e investir na recuperação de sua fatia de mercado no setor de encomendas. Para voltar a registrar lucro em 2027, a estatal precisará realizar um ajuste orçamentário anual de 6 bilhões a 8 bilhões de reais, entre cortes de gastos e novas receitas — meta considerada extremamente desafiadora por analistas. Como parte desse ajuste, os Correios postergaram para 2027 a contratação dos aprovados no concurso realizado em 2024. Procurada, a estatal preferiu não se manifestar.