Correios | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil


Os Correios apresentaram nesta segunda-feira (29) um amplo plano de reestruturação para enfrentar a crise financeira da estatal, que acumula 12 trimestres consecutivos de prejuízos. Entre as principais medidas estão o corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, a venda de imóveis não operacionais e o fechamento de mil agências em todo o país. Atualmente, a empresa conta com cerca de 5 mil unidades.

Um dos pilares do plano é a implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), com a expectativa de reduzir o quadro de funcionários em até 15 mil pessoas nos próximos dois anos, o equivalente a um corte de 18% da folha de pagamentos. Segundo o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, o modelo econômico-financeiro da empresa deixou de ser viável, exigindo ajustes rápidos para evitar prejuízos ainda maiores nos próximos anos.

Para reforçar o caixa e quitar dívidas, a estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de bancos públicos e privados, com garantia da União. Desse total, R$ 10 bilhões devem entrar no caixa da empresa até o fim de dezembro, e o restante em janeiro de 2026. O contrato prevê carência de três anos e início dos pagamentos em dezembro de 2029, com validade até 2040.

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Além da redução de custos com pessoal, o plano prevê a venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis, a eliminação de mil pontos de venda deficitários e a reformulação do plano de saúde dos funcionários, o Postal Saúde, com potencial economia de R$ 500 milhões por ano. A empresa projeta recuperar a saúde financeira em 2026 e voltar a registrar lucro a partir de 2027.

No campo das receitas, os Correios pretendem adotar novas estratégias para reverter a queda observada nos últimos anos. A estatal foi impactada pela implementação do programa Remessa Conforme, que alterou regras para encomendas internacionais e reduziu a obrigatoriedade do uso dos Correios na distribuição. A meta é alcançar R$ 21 bilhões em receita em 2027, frente aos R$ 18,9 bilhões registrados em 2024.

O plano também inclui investimentos de R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com recursos a serem captados junto ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics. Os aportes serão destinados à automação de centros de tratamento, modernização da logística, renovação da frota com foco em descarbonização e atualização da infraestrutura de tecnologia da informação.