A diretora de qualificação profissional da SDE, Thayane Leticia Pires Carvalho durante entrevista ao BC TV


O Estado já convive com uma mudança estrutural em seu perfil populacional: quase um quinto dos paulistas tem mais de 60 anos. O que antes era visto apenas como desafio para políticas sociais passa a ser encarado pelo governo estadual como oportunidade.

A ideia é transformar a experiência acumulada ao longo da vida em alternativa para manter-se ativo, gerar renda extra, preservar autonomia profissional e ampliar formas de “participação produtiva” na sociedade.

O programa

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O Trampolim 60+ é desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) e oferece cursos gratuitos e certificados voltados à qualificação profissional, ao empreendedorismo e à empregabilidade em todo o estado.

A iniciativa considera a demanda real do mercado de trabalho e as vocações regionais, permitindo que cada município indique os cursos mais adequados às suas necessidades locais. Além disso, conecta os participantes a vagas de emprego priorizadas para o público 60+, e disponibiliza ferramentas digitais de apoio, como criação de currículos, simulações de entrevistas e testes de habilidades.

Como se inscrever

As inscrições estão abertas até 18 de janeiro e podem ser feitas pela plataforma oficial www.trampolim.sp.gov.br.

No site do projeto, é possível aplicar filtros específicos para o público 60+, facilitando o acesso às informações. Os cursos são gratuitos, exigem apenas alfabetização como requisito e oferecem certificação mediante presença mínima de 75%.

A carga horária é de 80 horas, distribuídas em cerca de 20 dias de aulas, de segunda a sexta-feira, em horários variados conforme o curso e o município. Há opções presenciais em 35 cidades e também remotas, com 360 vagas em seis títulos diferentes.

Para detalhar o projeto e seus objetivos, o programa BC TV, do portal Brasil Confidencial, entrevistou nesta segunda-feira (12) a diretora de Qualificação Profissional da SDE, Thayane Carvalho.

A seguir, leia alguns dos principais trechos da entrevista:

Camila Srougi – Na prática, o que muda na política pública quando o estado passa a tratar a experiência como um ativo econômico e não como um custo social?

Thayane Carvalho – O primeiro ponto que a gente precisa levar em consideração são as especificidades desse público, desse recorte para o qual estamos olhando. Aqui na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, nós temos uma oferta de qualificação profissional disponível para todas as pessoas a partir dos 16 anos.

Quando estruturamos o lançamento do Trampolim 60+, que é esse programa de inclusão produtiva da população idosa, avaliamos os números que representam esse recorte: admissões dentro dessa faixa etária, quais são as ocupações que mais contratam esse público. Tudo isso para direcionar a oferta de qualificação, especialmente os cursos ofertados, para que eles estejam conectados com a real demanda do mercado.

É isso que muda quando olhamos para a oferta do Qualifica 60+. Consideramos também a vocação regional. Quando disponibilizamos cursos presenciais, o município escolhe qual curso vai receber, traz essa informação para nós — qual é sua vocação regional, sua principal demanda — para que a gente consiga, de fato, alcançar esse público e promover essa inclusão.

Camila Srougi – Como funciona esse projeto de qualificação voltado para pessoas com mais de 60 anos? Que tipo de curso, de apoio e de caminho esse público encontra ao procurar o programa?

Thayane Carvalho – As ofertas foram pensadas tanto na seleção de cursos alinhados com a demanda do mercado quanto na forma de execução. A entidade executora treinou seus professores para que a abordagem dos cursos seja ajustada para esse público, considerando eventuais desafios no processo de aprendizagem.

A gente conta com esse apoio, esse suporte, inclusive no processo de inscrição. Aproveito para reforçar: estamos com inscrições abertas tanto para turmas presenciais quanto remotas até o dia 18 de janeiro, domingo.

Estamos interagindo muito com os municípios e com diversos equipamentos do Estado, inclusive do desenvolvimento social, que já têm contato direto com esse público, para apoiar o processo de inscrição, que acontece integralmente pela plataforma Trampolim.

No site do trampolim, a população encontra todas as informações dos cursos disponíveis. É possível aplicar um filtro específico para o público 60+, facilitando o acesso.

São cursos disponíveis nas mais diversas áreas. Temos cursos de porteiro e controlador de acesso, na área de produção alimentícia, como docinhos para festa. Temos cursos de administração, como assistente administrativo, técnica de vendas, marketing digital, além de cursos relacionados à área de turismo.

São cursos bastante diversos para atender à diversidade do nosso estado e oferecer flexibilidade para quem busca atualização de conhecimentos, retorno ao mercado de trabalho ou opções voltadas ao empreendedorismo. Temos, por exemplo, cursos de gestão de pequenos negócios. Essa flexibilidade se reflete diretamente na oferta.”

Germano Oliveira – A Secretaria calcula que cerca de 17% da população do estado tenha mais de 60 anos. Muitos já se aposentaram e querem voltar ao mercado. Quem faz esses cursos tem algum incentivo ou garantia de emprego? Há algum acompanhamento?

Thayane Carvalho – O programa Trampolim 60+ foi pensado para atender três frentes: qualificação profissional, empreendedorismo e empregabilidade.

Dentro da plataforma, além dos cursos, são publicadas vagas de emprego atualizadas frequentemente, priorizadas para esse público. Esse é um dos pilares do programa: a captação de vagas prioritárias.

Quando a pessoa se cadastra, conclui o curso, ela pode criar seu currículo na plataforma, que faz a conexão entre as competências desenvolvidas e as vagas disponíveis. Quando surge a vaga, o sistema indica quais cursos a pessoa pode fazer para aumentar suas chances no processo seletivo.

Também incentivamos o uso contínuo da plataforma, que oferece diversas funcionalidades, como simulação de entrevistas com uso de inteligência artificial, testes de habilidades e outras informações que ajudam no processo de seleção.

Germano Oliveira – Quantas vagas estão disponíveis no Estado inteiro? Os cursos são presenciais ou online? E quanto tempo dura a formação?

Thayane Carvalho – Hoje temos mais de mil vagas disponíveis neste primeiro ciclo do 60+. Essas vagas se renovam quase mensalmente. O limite atual é para as inscrições de janeiro, mas novas vagas serão ofertadas ao longo do ano.

Os cursos acontecem tanto no formato presencial quanto no remoto. No presencial, neste primeiro ciclo, temos 35 municípios ofertando cursos, cada um com um curso disponível.

Na modalidade remota, são 360 vagas em seis títulos diferentes, com duas turmas por curso. Esses cursos estão abertos para qualquer morador do estado de São Paulo com 60 anos ou mais e que seja alfabetizado — esse é o único requisito.

Os cursos são gratuitos e com certificação. Para obter o certificado, é necessário presença mínima de 75%. A carga horária é de 80 horas, o que corresponde a cerca de 20 dias de aulas, de segunda a sexta-feira, em horários variados conforme o curso e o município.

Aos, 64 anos, Faustino se reinventou profissionalmente

Aos 64 anos, o motorista aposentado Reinaldo Faustino, morador de Mongaguá, no litoral paulista, decidiu que a idade não seria motivo para desacelerar.

Reinaldo Faustino: com a idade e o desemprego, buscou requalificação profissional. (Foto: Ag. SP)

Depois de perder o emprego durante a pandemia, ele buscou alternativas para se manter produtivo e encontrou nos cursos de qualificação profissional uma nova oportunidade.

“Trabalhei quase trinta anos levando pacientes para hemodiálise, quimioterapia e radioterapia de São Paulo para Santos. Quando veio a pandemia, fiquei sem trabalho. Aí apareceram os cursos do Qualifica SP; fiz aulas de hidráulica, elétrica e colocação de pisos. Aprendi muita coisa que está me ajudando muito. Hoje, tenho serviço todo dia”, conta Faustino.

Hoje, ele atua em dois prédios, realizando reparos e manutenção. A experiência adquirida nos cursos complementou o conhecimento que já trazia de casa. “Meu pai era torneiro mecânico e eu já sabia mexer em algumas coisas, mas, com as aulas, aprendi muito mais. Até o que eu já fazia, aprimorei”, afirma.

A trajetória de Faustino reflete um movimento crescente: idosos que permanecem produtivos e inseridos no cotidiano econômico. Segundo dados do IBGE, cerca de um quarto da população idosa do país vive em São Paulo. Mais de 26% dos paulistas com 60 anos ou mais continuam na força de trabalho, seja pela continuidade da vida profissional, pela geração de renda ou pela abertura de pequenos negócios.
Para Faustino, a experiência acumulada ao longo dos anos é um diferencial. “A gente chega nos 60 com muita experiência, e muita gente da minha idade continua ativa. A qualificação ajuda muito, porque através da educação a gente pode seguir contribuindo, aprendendo e trabalhando”, disse.

SP abre 15 mil vagas de emprego em PATs e na plataforma Trampolim

Os interessados podem se inscrever presencialmente em qualquer unidade do PAT. É necessário apresentar RG, CPF e Carteira de Trabalho, física ou digital. Os endereços estão disponíveis na página oficial da Secretaria de Desenvolvimento Econômico

Os programas conectam empresas e trabalhadores, oferecendo serviços gratuitos de intermediação de mão de obra Foto: Divulgação/Governo de SP

Quem começa 2026 em busca de trabalho encontra cerca de 15 mil vagas abertas nos Postos de Atendimento ao Trabalhador (PATs) e na plataforma Trampolim, ambos programas do governo paulista.

As iniciativas conectam empresas e candidatos, oferecendo serviços gratuitos de intermediação de mão de obra. São 200 unidades do PAT espalhadas pelo estado.

Entre as funções com maior número de oportunidades nos PATs estão auxiliar de logística (2.318 vagas), faxineiro (929), alimentador de linha de produção (923), vendedor de comércio varejista (598), atendente de lojas e mercados (345) e atendente de lanchonete (303). No Trampolim, há vagas para especialista de relacionamento com o cliente I e II (739), auxiliar de logística (500) e atendente (150).

Gildeon Souza, 50 anos, morador de Suzano, na Grande São Paulo, é exemplo de quem persistiu até conseguir uma colocação. Ele conta que ia semanalmente ao PAT Itaim Paulista, na capital.

“Eu estava trabalhando, mas queria mudar de empresa, e foi no PAT que consegui uma vaga de porteiro”, afirma. “Tive uma ótima experiência e fui muito bem atendido”, acrescenta.

Para este ano, Gildeon diz que pretende se qualificar. “Eu quero estudar para crescer dentro da minha área”, explica. O Trampolim também oferece cursos de capacitação para quem busca seguir esse caminho.

A subsecretária de Inclusão Produtiva e Empregabilidade, Mariana Rodrigues, destaca que o início do ano é um momento favorável para quem procura trabalho.

“O início de ano é uma ótima oportunidade para as pessoas buscarem emprego. Os programas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico estão com diversas vagas de emprego e cursos de qualificação para ajudar quem busca ingressar ou se recolocar no mercado de trabalho”, afirma.

Como se candidatar

Os interessados podem se inscrever presencialmente em qualquer unidade do PAT. É necessário apresentar RG, CPF e Carteira de Trabalho, física ou digital. Os endereços estão disponíveis na página oficial da Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
As vagas do Trampolim podem ser acessadas pelo site www.trampolim.sp.gov.br (trampolim.sp.gov.br ).

📺 A entrevista completa está disponível no canal BC TV: