Condenada pela Justiça da França a quatro anos de prisão, sendo dois anos com tornozeleira eletrônica e outros dois com suspensão da pena, a líder da ultradireita francesa, Marine Le Pen, iniciou nesta terça-feira (13/01), no Tribunal de Apelações de Paris, uma nova fase de um processo judicial que pode definir seu futuro político.
Em março de 2025, o Tribunal Criminal de Paris condenou Le Pen em primeira instância por uso indevido de recursos do Parlamento Europeu durante o período em que foi eurodeputada. A decisão determinou que ela está proibida de concorrer a eleições por cinco anos.
Segundo os juízes, ficou comprovado que Le Pen herdou de seu pai e impulsionou um esquema de desvio de fundos do Parlamento Europeu para financiar o partido. Caso a sentença seja mantida, a atual líder da bancada do Reunião Nacional (RN) na Assembleia Nacional ficará impedida de disputar pela quarta vez a presidência da França, em 2027.
O objetivo de Le Pen é garantir sua quarta tentativa de chegar ao Palácio do Eliseu, após derrotas no segundo turno nas duas últimas eleições. Pesquisas indicam que o RN, partido de ultradireita, é considerado um dos favoritos para vencer o pleito do próximo ano.
Condenação e inelegibilidade
Le Pen também foi condenada a quatro anos de prisão, sendo dois anos com tornozeleira eletrônica e outros dois com suspensão da pena. O julgamento trata da suposta fraude envolvendo assistentes parlamentares entre 2004 e 2016. Estima-se que mais de 4,4 milhões de euros tenham sido desviados para pagar funcionários do partido, incluindo seu guarda-costas, sob a justificativa de cargos parlamentares.
Na época, o partido ainda se chamava Frente Nacional (FN). Em 2018, passou a se chamar Reunião Nacional.
Defesa e contestação
Le Pen nega as acusações. Durante o julgamento inicial, afirmou não ter cometido irregularidades e classificou o veredito como político. Apenas metade dos 24 condenados recorreu da decisão; os demais aceitaram a sentença, o que enfraquece os argumentos da defesa.
O RN também foi condenado a pagar multa de pelo menos 1 milhão de euros e contesta a decisão na Justiça.
Possível sucessão
O tribunal de apelação pode confirmar a condenação de primeira instância, encerrando as opções eleitorais de Le Pen, ou manter a culpabilidade sem aplicar a inelegibilidade preventiva, permitindo que ela concorra em 2027.
A decisão deve ser proferida até 12 de fevereiro, mas observadores acreditam que o resultado só será conhecido na metade do ano, quando a campanha presidencial já estará em andamento.
O partido tem como plano B Jordan Bardella, presidente do RN desde 2022 e considerado herdeiro político de Le Pen. Aos 30 anos, Bardella aparece bem posicionado nas pesquisas, embora críticos apontem sua falta de experiência. Ele afirma que recuará caso Le Pen esteja apta a concorrer, mas busca se consolidar como alternativa caso a Justiça impeça sua mentora.
Bardella declarou apoio total a Le Pen e disse que seria preocupante para a democracia se o Judiciário impedisse sua candidatura. Segundo ele, não há divergências políticas entre ambos, apenas diferenças de personalidade.


