O advogado Walfrido Warde deixou nesta quinta-feira (21) a equipe de defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio a divergências sobre a possibilidade de o banqueiro recorrer a uma delação premiada.
A decisão expõe fissuras na estratégia jurídica de Vorcaro, investigado pela Polícia Federal e alvo da liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central.
Segundo apuração, Warde comunicou colegas sobre sua saída e afirmou que não se manifestaria publicamente. “Não vou comentar o assunto”, disse ao ser procurado.
O advogado é contrário ao uso da colaboração premiada como instrumento de defesa, enquanto nos bastidores cresce a avaliação de que Vorcaro pode aderir ao mecanismo diante do agravamento de sua situação.
O controlador do Banco Master foi alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, e viu o Banco Central decretar a liquidação da instituição e da fintech Will Bank, adquirida pelo grupo.
A defesa de Vorcaro, descrita como um “exército de escritórios”, inclui nomes como Roberto Podval e Pierpaolo Bottini, que atuam em diferentes frentes — do Supremo Tribunal Federal à Justiça norte-americana.
Na última semana, após nova operação da PF, Vorcaro declarou ter “interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”.
A frase foi interpretada como sinal de disposição para negociar, possivelmente por meio de uma colaboração premiada.
A saída de Warde, um dos advogados mais conhecidos em casos de grande repercussão, marca um ponto de inflexão na defesa do banqueiro e amplia a incerteza sobre os próximos passos da estratégia jurídica.


