Agentes do MP e da Polícia Militar fazem buscas na Prefeitura e Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos. (Reprodução: TV)


Políticos, servidores e empresários foram alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que investiga o desvio de ao menos R$ 24 milhões dos cofres da Prefeitura e da Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos, cidade que fica 32 km na região metropolitana da capital paulista.

A ação, deflagrada na manhã desta quarta-feira (28), cumpriu mandados de busca e apreensão, afastou suspeitos de suas funções e bloqueou bens e valores ligados ao esquema. Mais de cem agentes participaram da ofensiva.

A investigação, batizada de Operação TAC, foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (GAEMA), com apoio da Polícia Militar.

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O caso surgiu a partir de informações obtidas pela Operação Munditia, em aparelhos telefônicos apreendidos com um ex-vereador.

De acordo com o MPSP, servidores, políticos e empresários teriam negociado dois Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) em troca de propina.

Os acordos previam a suspensão de certidões de dívida ativa de uma empresa autuada por infrações ambientais e a desistência de ações judiciais movidas pelo município.

Em contrapartida, a companhia assumiu obrigações ambientais cujo cumprimento ainda será verificado pelo GAEMA.

O pagamento ilícito teria ocorrido por meio da emissão de notas fiscais em nome de empresas de fachada e transferências financeiras. A dívida da empresa envolvida ultrapassava R$ 24 milhões.

Conexão com a Operação Munditia

O caso atual se conecta à Operação Munditia, deflagrada em 2025. Na ocasião, ex-servidores da Prefeitura foram exonerados por participação em fraudes em licitações. O ex-vereador Flávio Batista de Souza, conhecido como Inha, foi denunciado ao Tribunal de Justiça de São Paulo junto com outras nove pessoas.

Segundo o Ministério Público, o grupo teria manipulado processos para favorecer uma empresa ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Em abril do ano passado, Inha e os ex-vereadores Luiz Carlos Alves Dias, de Santa Isabel, e Ricardo Queixão, de Cubatão, foram presos.

Em setembro, a Justiça impôs medidas cautelares ao ex-vereador, incluindo comparecimento periódico em juízo, proibição de contato com outros investigados, restrição de acesso a empresas envolvidas e suspensão do exercício de função pública.