BRASIL EM FOCO
Germano Oliveira*
Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, está colocando à prova o título de maior articulador político brasileiro. Ele está tratando de colocar em pé um plano que objetiva permanecer influente no governo Lula e, ao mesmo tempo, continuar dando as cartas na administração estadual, onde o governador Tarcísio de Freitas estrutura o seu projeto de reeleição.
Para fortalecer seu poder junto ao governo Lula, onde o PSD já tem três ministérios, Kassab está montando uma estratégia em que pretende lançar candidato próprio à Presidência da República, que, embora seja de centro-direita, não deseja atacar o presidente Lula, candidato à reeleição como o maior líder da esquerda. O que Kassab quer, com isso, é lançar Caiado (que trocou o União Brasil pelo PSD), Ratinho (governador do Paraná) ou Eduardo Leite (governador do Rio Grande do Sul).

Ratinho e Caiado
Embora o próprio Caiado tenha dito que poderá ser o candidato do PSD à Presidência, o jogo de Kassab não é bem esse. O que o presidente do PSD deseja mesmo é lançar Ratinho, que, de todos os governadores — fora Tarcísio, do Republicanos — é o mais bem avaliado pela Quaest, um dos mais sérios institutos de pesquisas. Depois dele, vem Caiado e, depois, Leite, deixando Romeu Zema (Novo) por último. Nos bastidores, o PSD poderia ter uma chapa com Ratinho na cabeça e Caiado de vice. Ou vice-versa. Nesse caso, Leite seria candidato ao Senado pelo RS.
O objetivo dessa jogada é rachar a direita. Ou seja, uma chapa com os governadores pessedistas tiraria votos de Flávio Bolsonaro, o candidato do PL, que hoje é o que tem mais chances de enfrentar Lula, já que seu pai, Jair Bolsonaro, resolveu lançar o 01 como presidenciável, puxando o tapete de Tarcísio, que dez em cada dez líderes do Centrão desejariam que o candidato a presidente do grupo fosse mesmo o governador paulista.
Dentro dessa estratégia, que Kassab já discutiu com Lula, se o PT vencer as eleições presidenciais, enfraquecendo Flávio e o clã Bolsonaro, Kassab se fortaleceria e teria, novamente, grande espaço dentro do futuro governo petista. Afinal, o PSD e seus apoiadores poderiam ser decisivos na agregação de votos da centro-direita para Lula, papel que a ministra Simone Tebet desempenhou em 2022. O lulismo só venceu o bolsonarismo naquele ano graças aos 2 milhões de votos do centro.
A reeleição de Tarcísio

Diante dessa articulação, o PSD apoiará a candidatura à reeleição do governador Tarcísio, onde Kassab é o secretário de Estado com maior poder político. Para tanto, o pessedista reivindica o posto de candidato a vice na chapa de Tarcísio, disputando a vaga contra o presidente da Assembleia, André do Prado (PL), ou mesmo contra Felício Ramuth (PSD), que é o atual vice de Tarcísio.
Neste caso, porém, dificilmente Ramuth terá chances, pois precisará disputar o posto contra Kassab, que é o chefe de seu partido e quem o indicou para ser o vice do atual governador em 2022. Portanto, se Tarcísio resolver ter alguém do PSD em sua chapa, esse alguém será Kassab. Dessa forma, o jogo será tentar eleger agora o candidato do Republicanos, com o apoio do PL, PSD, MDB, Podemos, PTB e tantos outros, para que ele sonhe em ser o presidenciável de 2030. Para isso, Tarcísio terá que deixar o cargo em abril de 2030, deixando Kassab no cargo por quase um ano.
Nesse hipotético quadro, Kassab não precisaria sair do governo para disputar a reeleição ao governo paulista em 2030, fazendo campanha pela eleição de Tarcísio à Presidência. Kassab nunca escondeu deste colunista que o seu maior sonho é ser governador paulista. Ele diz que já foi “tudo” em São Paulo: deputado estadual, federal, prefeito duas vezes da capital (foi o mais longevo chefe do Poder Executivo paulista) e agora joga tudo para chegar ao Palácio dos Bandeirantes. Parece fácil, mas esse é apenas um jogo. E Kassab é um dos maiores jogadores dos bastidores da política nacional. A ver.
*Germano Oliveira é Diretor do BRASIL CONFIDENCIAL.


