O material foi divulgado com base na Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, aprovada após meses de pressão pública e política que exigiam que o governo tornasse públicos seus registros sobre o financista caído em desgraça.
Nesta sexta-feira (30), o Departamento de Justiça anunciou que vai liberar mais documentos de suas investigações sobre Jeffrey Epstein, retomando as publicações previstas pela lei que busca revelar o que o governo sabia sobre os abusos sexuais cometidos contra adolescentes pelo milionário.
O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou que o departamento vai disponibilizar mais de três milhões de páginas de documentos, além de 2.000 vídeos e 180.000 imagens.
Os arquivos, publicados no site oficial do departamento, incluem parte dos milhões de páginas que, segundo as autoridades, haviam sido retidas na primeira divulgação feita em dezembro.
A lei também exige a abertura dos arquivos relacionados à falecida confidente e ex-namorada de Epstein, Ghislaine Maxwell.
“A divulgação de hoje marca o fim de um processo muito exaustivo de identificação e análise de documentos, garantindo transparência para o povo americano e o cumprimento da lei”, disse Blanche em coletiva de imprensa.
Após não cumprir o prazo de 19 de dezembro estabelecido pelo Congresso para liberar todos os arquivos, o Departamento de Justiça informou que mobilizou centenas de advogados para revisar os registros e decidir o que deveria ser omitido a fim de proteger a identidade das vítimas de abuso sexual.
Entre os materiais retidos estão informações que poderiam comprometer investigações em andamento ou expor dados pessoais de potenciais vítimas. Todas as mulheres, com exceção de Maxwell, foram excluídas dos vídeos e imagens divulgados, segundo Blanche.
O número de documentos sujeitos a revisão aumentou para cerca de seis milhões, incluindo duplicatas.
Contexto das divulgações anteriores
Pouco antes do Natal, o Departamento de Justiça já havia liberado dezenas de milhares de páginas, incluindo fotografias, transcrições de entrevistas, registros de chamadas e documentos judiciais. Muitos deles já eram públicos ou estavam fortemente censurados.
Esses registros incluíam listas de voos que mostravam que Donald Trump viajou no jato privado de Epstein nos anos 1990, antes de romper relações com ele, além de várias fotos do ex-presidente Bill Clinton.
Nem Trump, republicano, nem Clinton, democrata, foram acusados publicamente de irregularidades relacionadas a Epstein. Ambos afirmaram não saber que ele abusava de menores.
No mês passado, também foram divulgadas transcrições de depoimentos de agentes do FBI que relataram entrevistas com adolescentes que disseram ter sido pagas para manter relações sexuais com Epstein.
Histórico de Epstein e Maxwell
Epstein morreu por suicídio em uma cela de Nova Iorque em agosto de 2019, um mês após ser acusado de tráfico sexual em nível federal.
Em 2008 e 2009, ele cumpriu pena na Flórida após se declarar culpado por solicitar prostituição de menores de 18 anos. Na época, havia provas de que abusava de adolescentes em sua casa em Palm Beach, mas o gabinete do procurador dos EUA aceitou não processá-lo em troca da confissão em acusações estaduais menores.
Em 2021, um júri federal de Nova Iorque condenou Ghislaine Maxwell, socialite britânica, por tráfico sexual, por ter ajudado a recrutar algumas das vítimas menores de idade. Ela cumpre pena de 20 anos de prisão no Texas, após ser transferida de uma penitenciária federal na Flórida. Maxwell nega qualquer irregularidade.
Acusações de Virginia Giuffre
Uma das vítimas, Virginia Roberts Giuffre, acusou Epstein em processos judiciais de ter organizado encontros sexuais para ela, aos 17 e 18 anos, com políticos, empresários, acadêmicos e outras figuras influentes — todos negaram as acusações.
Entre os nomes citados está Andrew Mountbatten-Windsor, anteriormente conhecido como príncipe Andrew, que perdeu seus títulos reais. Ele negou ter tido relações com Giuffre, mas resolveu o processo com um acordo financeiro cujo valor não foi revelado.


