João Roberto Viotto, acionista do luxuoso complexo turístico Tayayá Porto Rico, denunciou ao jornal Estadão a existência de desvios financeiros nas obras e na gestão do projeto que podem alcançar os 100 milhões de reais (cerca de 16,5 milhões de euros). O empreendimento, situado às margens do rio Paraná, teve em seu quadro societário os irmãos do magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e o apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como ‘Ratinho’.
A denúncia sustenta-se em uma auditoria que detectou a falta de comprovantes fiscais para despesas vultuosas a partir de junho de 2023.
Enquanto a administração do resort classifica as acusações como “inverídicas e caluniosas”, o denunciante prepara-se para levar o caso à Polícia Federal, alegando possíveis crimes contra a ordem tributária e o sistema financeiro nacional.
Conexões sob suspeita
O projeto Tayayá Porto Rico comercializou, até o momento, mais de R$ 200 milhões em participações de apartamentos e moradias. A empresa gerida por José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli — irmãos do ministro do Supremo — manteve ações no complexo desde a sua fundação, em 2021, até fevereiro de 2025. Por sua vez, a empresa do apresentador Ratinho retirou-se do negócio em maio de 2024.
O caso ganha contornos de conflito de interesses devido à atuação do magistrado Dias Toffoli no STF. O juiz é o instrutor de investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master, instituição cujo proprietário, Daniel Vorcaro, possui vínculos familiares com o fundo de investimento que adquiriu participações de outra unidade do resort (em Ribeirão Claro), pertencente aos irmãos Toffoli.
Batalha judicial e auditoria
Viotto, que detém 18% da empresa e a presidiu até 2023, iniciou uma ação judicial no estado do Paraná para a produção antecipada de provas, solicitando dados ao Banco Central e ao órgão de combate à lavagem de dinheiro (Coaf). Embora tenha retirado a ação dias depois — o que foi interpretado como uma manobra jurídica para mudar o tribunal responsável —, o empresário mantém as acusações contra Patrick Ferro, atual presidente do resort.
A defesa do Tayayá Porto Rico contra-ataca, afirmando que a denúncia é uma “tentativa agressiva” de retomar o controle da administração por parte de Viotto, que teria sido afastado por “atividades suspeitas e conflito de interesses”.
A auditoria que serve de base à denúncia destaca dois pontos críticos:
- Desembolsos sem lastro: Saídas de caixa sem faturas ou contratos que comprovem a prestação de serviços.
- Inconsistência bancária: Uma diferença de R$ 7,6 milhões entre o saldo contabilizado e as movimentações reais.
O complexo, que ainda se encontra em fase de construção na divisa entre os estados de Paraná e Mato Grosso do Sul, prevê a entrega de 540 unidades habitacionais. Até o momento, nem Dias Toffoli nem seus irmãos responderam às tentativas de contacto para comentar o caso.



