Os empresários Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, avançam numa negociação para acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo.
Alvos principais da Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do PCC no setor de combustíveis e na Faria Lima, os dois estão foragidos.
Por meio de emissários, os empresários afirmam estar dispostos a entregar provas de corrupção envolvendo parlamentares e autoridades do Executivo. Segundo fontes ligadas ao caso, o volume de propinas mencionado chegaria a R$ 500 milhões.
‘Setor de combustíveis’ e provas no WhatsApp
A defesa dos empresários nega qualquer elo com a facção criminosa. No entanto, para fechar o acordo, eles alegam possuir mensagens de WhatsApp que detalham:
- Encontros pessoais para entrega de dinheiro;
- Uso de “laranjas” em transações;
- Pagamento de propina em troca de “alívio” fiscal e regulatório para o setor de combustíveis.
O grupo operava uma rede de postos que, segundo o MP, servia para lavar dinheiro do crime organizado.
R$ 52 bilhões movimentados
Deflagrada em agosto de 2024, a Operação Carbono Oculto é considerada a maior ofensiva contra o braço financeiro do PCC. A investigação aponta que a rede movimentou R$ 52 bilhões por meio de 40 fundos de investimento e fintechs.
O BK Bank, citado no inquérito por movimentações suspeitas de R$ 17,7 bilhões, afirmou na época que atua com transparência e rigorosos padrões de compliance. Outra empresa mencionada, a Reag Investimentos, administrava um fundo cujo único cotista era Renato Steinle de Camargo, apontado como “testa de ferro” de Primo e Beto Louco.
Resistência em Brasília
A reportagem apurou que os empresários estão “impacientes”. Embora as conversas com os promotores de São Paulo avancem, há uma percepção de que autoridades em Brasília estariam tentando barrar as revelações.
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, reforçou que o objetivo é impessoal: “Qualquer pessoa que tiver envolvimento terá que se explicar e sofrerá as consequências penais”.
Até o momento, os advogados que representam Mohamad e Roberto não quiseram comentar as negociações com a Promotoria.



