A Acadêmicos de Niterói faz um tema bem político, pró-Lula e contra a Anistia a Bolsonaro e seus generais. (Reprodução: Acadêmicos de Niterói)


A senadora Damares Alves (Republicanos) iniciou uma ofensiva contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói após o ensaio técnico realizado na Sapucaí, que exibiu provocações ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para Damares, a apresentação “ultrapassou os limites” da arte e configurou propaganda eleitoral antecipada em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pode disputar a reeleição em 2026.

Providências adotadas

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Damares protocolou denúncia no Ministério Público Eleitoral, pedindo que a agremiação seja responsabilizada por supostamente utilizar recursos públicos para promover um candidato.

Segundo ela, trata-se de um desvio de finalidade e uma violação das regras eleitorais. A senadora também defende que os órgãos de controle fiscalizem os repasses feitos à escola e avaliem a suspensão de verbas.

Reações políticas

Outros parlamentares de oposição seguiram a mesma linha. O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) pediu abertura de inquérito no Ministério Público do Rio, enquanto o deputado federal Eduardo Pazuello (PL) classificou o desfile como “militância disfarçada”.

Já seis deputados do partido Novo acionaram o Tribunal de Contas da União (TCU) para barrar o pagamento de R$ 1 milhão previsto em acordo entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa).

O que fez a escola

A Acadêmicos de Niterói prepara para o Carnaval um enredo intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que narra a trajetória pessoal e política do presidente.

No ensaio técnico, além das provocações a Bolsonaro, a escola reforçou a narrativa de valorização da figura de Lula como símbolo de esperança e resistência.

Liberdade de expressão em debate

O episódio reacendeu a discussão sobre os limites entre arte e política. Enquanto opositores acusam a escola de propaganda eleitoral, defensores da manifestação lembram que o Carnaval é historicamente marcado por críticas sociais e políticas, e que a liberdade de expressão deve ser preservada.

A própria Embratur, em nota, destacou que não interfere na escolha dos sambas-enredo e que respeita a autonomia artística das agremiações.

Resposta da escola e da Liesa

Procurada, a Acadêmicos de Niterói preferiu não se pronunciar sobre as críticas. Já a Liesa afirmou que não recebeu qualquer notificação oficial e reforçou que é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que cumpre as diretrizes impostas pelos órgãos públicos. A entidade também reiterou que os repasses são distribuídos de forma igualitária entre todas as escolas do Grupo Especial.