Um afresco restaurado em uma igreja de Roma gerou repercussão na Itália devido à semelhança do rosto de um anjo com o da primeira-ministra Giorgia Meloni.
Nesta quarta-feira (4), Valentinetti apagou a feição da figura na Basílica de São Lourenço em Lucina após reunião entre a Diocese de Roma e o pároco da igreja. “O Vaticano que me disse [para apagar]”, afirmou ao jornal La Repubblica. “Sim, é o rosto da primeira-ministra, mas seguindo a linha do quadro anterior”, disse.
A decisão ocorreu enquanto autoridades italianas responsáveis por monumentos históricos avaliavam se a alteração havia sido autorizada. O anjo deve agora recuperar sua aparência original.
Valentinetti, restaurador amador de 83 anos, havia negado inicialmente que Meloni tivesse servido de inspiração, alegando apenas ter renovado sua própria pintura de 2000. Depois, sob pressão da Cúria, admitiu que retratou a premiê.
Em entrevista anterior, o artista já havia relatado que a ideia surgiu em sonho. “Meloni apareceu para mim vestida de branco. Ela me disse: ‘Bruno, pinte o anjo à minha imagem. Dê a ele o meu rosto!’ Minha mão então se moveu sozinha”, afirmou.
Na cena, o chamado “anjo Meloni” segura um pergaminho com o mapa da Itália e parece se ajoelhar diante do busto do último rei do país, Umberto II.
Restauração atraiu visitantes
O caso ganhou destaque em 31 de janeiro, quando o La Repubblica revelou que o anjo havia sido alterado para se parecer com a líder conservadora de 49 anos.
“Antes da restauração, era um querubim genérico. Hoje, tem o rosto da mulher mais poderosa do país”, escreveu o jornal.
O afresco, antes pouco notado, passou a atrair turistas, que lotam a igreja para tirar fotos, às vezes interrompendo missas. O templo fica em uma das praças mais famosas de Roma, próximo à Escadaria Espanhola.
Meloni reagiu com humor, publicando no Instagram uma foto da figura alada acompanhada da legenda: “Não, definitivamente eu não pareço um anjo.”
Igreja e governo investigam
O pároco da basílica, Daniele Micheletti, reconheceu a semelhança, mas minimizou o episódio. Disse que há tradição de artistas retratarem pessoas conhecidas em obras sacras. Segundo ele, o pedido foi para que a capela fosse restaurada “exatamente como era”, após danos causados por infiltração.
A pintura original, de 2000, não estava sob proteção patrimonial.
Ainda assim, a Diocese de Roma e o Ministério da Cultura abriram investigações. Técnicos foram enviados para inspecionar a obra e “verificar a natureza da intervenção”.
O vigário da capital, cardeal Baldassare Reina, afirmou que figuras políticas não têm lugar na arte sacra. “Reafirmando o compromisso da Diocese de Roma com a preservação de seu patrimônio artístico e espiritual, reiteramos firmemente que imagens da arte sacra e da tradição cristã não podem ser mal utilizadas ou exploradas, pois existem exclusivamente para apoiar a vida litúrgica e a oração pessoal e comunitária”, disse em comunicado.


