EUA abatem drone iraniano Shahed-139 que se aproximou do porta-aviões USS Abraham Lincoln, segundo militares. (Reprodução: TV)


As negociações entre Estados Unidos e Irã devem ocorrer nesta sexta-feira em Omã, segundo fontes diplomáticas, após militares americanos confirmarem o abate de um drone iraniano e forças de Teerã ameaçarem apreender um navio com bandeira norte-americana.

O Irã rejeitou a proposta inicial de realizar as conversas na Turquia e insiste em um formato direto com Washington, sem a mediação de terceiros. Esse modelo é defendido há anos pelo governo de Donald Trump. A Casa Branca não comentou de imediato.

Os dois países não mantêm relações diplomáticas formais. Para Washington, Teerã continua classificado como Estado patrocinador do terrorismo.

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Israel mantém ceticismo

Na véspera das negociações, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reuniu-se em Jerusalém com o enviado de Trump, Steve Witkoff. Segundo comunicado oficial, Netanyahu afirmou que o Irã “já demonstrou que não cumpre suas promessas”. Israel segue desconfiado da diplomacia articulada por aliados árabes e turcos dos EUA, que buscam evitar uma escalada militar.

Incidentes no Mar Arábico e no Estreito de Ormuz

O Comando Central dos EUA informou que um drone Shahed-139 se aproximou de forma “agressiva” do porta-aviões USS Abraham Lincoln no Mar Arábico, a cerca de 800 quilômetros da costa iraniana. Um caça F-35C abateu o aparelho “em legítima defesa”, segundo o porta-voz Tim Hawkins. Não houve feridos nem danos materiais.

Horas depois, no Estreito de Ormuz, outro drone iraniano e embarcações da Guarda Revolucionária ameaçaram abordar o petroleiro M/V Stena Imperative, de bandeira americana. A situação foi controlada após a chegada do destróier USS McCaul, que escoltou o navio com apoio aéreo.

Reforço militar dos EUA

Washington ampliou sua presença militar na região nos últimos dias. Além do USS Abraham Lincoln e três destróieres no Mar Arábico, outros navios foram deslocados para o Mar Vermelho, o Estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico.

No mês passado, Trump declarou que o envio de embarcações ao Oriente Médio era “por precaução”, enquanto seu governo acompanhava a repressão iraniana aos protestos iniciados em dezembro. Organizações estimam milhares de mortos.

O presidente afirmou ter mantido contatos com autoridades iranianas e disse que pretende prosseguir com as conversas. “Eu disse a eles duas coisas: nada de armas nucleares e parem de matar manifestantes”, declarou.

O líder supremo iraniano advertiu que qualquer ataque americano poderia desencadear uma “guerra regional”. No verão passado, os EUA bombardearam instalações nucleares no país.