BRASIL EM FOCO
Germano Oliveira*
Lula nasceu em Garanhuns, no sertão pernambucano, e em todas as três eleições presidenciais vencidas por ele (2002, 2006 e 2022), o petista teve votações espetaculares no Nordeste. Em quase todas as jornadas eleitorais, fez mais de 80% dos votos nos principais redutos nordestinos, o que o transformou em político imbatível na região. Mas, este ano, na disputa pela reeleição, o presidente está enfrentando problemas nesta pré-campanha, em que os seus candidatos estão derrapando na largada. A Bahia e o Ceará, estados em que o PT governa e cujos atuais governadores devem ser candidatos à reeleição – mas que não estão empolgando os eleitores –, podem sofrer intervenção do mandatário, com a escolha de nomes alternativos.
O Ceará, administrado pelo governador Elmano de Freitas (PT), é o estado em que os petistas estão abaixo das expectativas do comando nacional. O nome do governador aparece bem atrás nas pesquisas do ex-governador e ex-candidato a presidente Ciro Gomes (PSDB), que lidera as consultas populares. Ainda num passado recente, Ciro chegou a ser sondado para se aliar a uma eventual candidatura de Elmano, mas se desentendeu com o PT e, por consequência, brigou feio com seu irmão, o senador Cid Gomes (PSB).
Briga dos irmãos Gomes

As desavenças entre Ciro e Cid foram tão graves que os dois não se falam mais, gerando uma crise familiar sem precedentes. O fato é que a candidatura de Ciro a governador hoje é a mais relevante e pode derrubar a reeleição de Elmano. O pior é que, dessa forma, o palanque de Lula no estado – onde o petista se elege há muitos anos com grande vantagem – pode sofrer uma grande baixa.
Por essa fragilidade, Lula cogita até mesmo mudar o candidato, tirando Elmano de uma candidatura natural à reeleição e lançando o atual ministro da Educação, Camilo Santana (PT), que é bem avaliado no Ceará, sobretudo em função da boa administração do governo local de 2018 a 2022. Inicialmente, o partido contava com ele para ser candidato ao Senado.
Segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, Ciro Gomes está com 44,8% das intenções de voto, contra 34,2% de Elmano. Já o senador Eduardo Girão (Novo), que deve trabalhar pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro, aparece com apenas 1,6%. Se Lula articular a mudança de Elmano por Camilo Santana, será uma grande intervenção no PT cearense, onde o partido está no poder há muitos anos. Mas o presidente está pensando mais na sua reeleição do que na unidade do partido no estado.

Crise na Bahia

O que está acontecendo no Ceará se repete na Bahia. Lá, o PT está no poder há quase 20 anos. A candidatura à reeleição do atual governador Jerônimo Rodrigues (PT) também está fazendo água. Quem aparece liderando as pesquisas para o Palácio de Ondina é o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), com 9 pontos à frente do petista. ACM, neto do ex-presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães, o patriarca da família ACM, está recebendo grande apoio popular na Bahia, que é o estado com o maior colégio eleitoral do Nordeste.
Na eleição de 2022, Lula conquistou 72% dos votos dos baianos contra Bolsonaro, que sofreu uma grande derrota no estado. O candidato a governador de então, Jerônimo, foi eleito com 52% dos votos, derrotando ACM, mas agora o jogo está mudando.
Por essa razão, Lula pensa em fazer na Bahia o mesmo que cogita no Ceará: substituir o nome de Jerônimo por outro mais forte. E, neste caso, poderá ser o de Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil. Ele deixou o governo Lula, sendo substituído por Miriam Belchior. Costa foi eleito governador por duas vezes (2014 a 2018 e 2018 a 2022), sempre bem votado e alavancando as boas votações do partido entre os baianos. A ver.


