O senador Alessandro Vieira: quer ouvir a parentada de Moraes e Toffoli. (Foto: Ag. Senado)


O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou requerimentos para convocar à CPI do Crime Organizado a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, e os irmãos do ministro Dias Toffoli. Também solicitou a presença do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-diretor da instituição.

No caso de Viviane, Vieira afirma que a convocação é necessária para esclarecer suspeitas de uso de serviços jurídicos como mecanismo de lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial. O contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, revelado pelo jornal O Globo, é citado como exemplo de negócio jurídico simulado.

O senador menciona ainda a Operação Carbono Oculto, que apontou a capitalização do Banco Master com recursos provenientes de fraudes e tráfico de drogas, por meio da gestora CBSF DTVM (antiga Reag Trust). Nesse contexto, os pagamentos ao escritório poderiam configurar lavagem de dinheiro, crime previsto na Lei nº 9.613/1998.

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Vieira destaca que a abertura de uma nova unidade do escritório em Brasília, em setembro de 2025, ocorreu dois meses antes da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central. Para ele, o fato reforça a suspeita de manobra patrimonial e possível tráfico de influência.

Na semana passada, os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) pediram a quebra de sigilo bancário e fiscal de Viviane Barci, abrangendo o período de 1º de janeiro de 2024 a 1º de janeiro de 2026.

Outros requerimentos apresentados por Vieira incluem os irmãos de Toffoli, José Carlos e José Eugênio, e o primo Mário Umberto Degani. Segundo o senador, eles mantinham relações societárias com empresas ligadas ao Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro (PR), cujas transações envolveram fundos administrados pela CBSF DTVM, alvo da Operação Carbono Oculto.

Vieira cita reportagem do Estadão segundo a qual a casa de José Eugênio aparece como sede de empresa que vendeu parte do resort a fundo ligado a Daniel Vorcaro por R$ 3 milhões. O senador afirma que o estilo de vida dos familiares do ministro é incompatível com negociações milionárias.

Os requerimentos foram apresentados no dia 2, início do ano legislativo. A próxima sessão da CPI está marcada para 10 de fevereiro, quando os pedidos poderão ser analisados.