André Luiz Petraglia


André Luiz Petraglia*

Acredito na linha de que a virtude está no meio, ou seja, o equilíbrio das coisas faz surgir um resultado positivo, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Porém, quando se trata de qualidade, de esmero e de se buscar resultados surpreendentes, é fundamental que nos atentemos aos detalhes pois é neles que residem as coisas inesquecíveis: os sabores especiais, os aromas refinados, as imagens encantadoras. São os detalhes que colocam o toque de poesia necessário a uma situação, a um evento, a um relacionamento. Fazer as coisas apenas por fazer, para “cumprir tabela” não encanta. Quando alguém nos diz que algo foi mais ou menos bem-feito, significa que foi menos, ficou abaixo da média, ficou ruim porque não existe o quase bom, pois o que é bem-feito é bom e ponto, qualquer coisa abaixo disso é e sempre será menos.

Um caminho interessante para se aumentar a qualidade do que se faz ou aprimorar a forma como compreendemos o mundo e os outros é começarmos a parar de ver “como são as coisas” e passarmos a observar “como é a coisa”. Isso significa se despir de preconceitos, de ideias pré-concebidas e passar a absorver de cada experiência, de cada novo trabalho, de cada relacionamento, de cada contato humano um aprendizado real e consistente.

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Quando uma pessoa conhecida comete uma falha, costumamos dizer “desse aí só poderíamos esperar isso!” ou quando vemos o comportamento equivocado de alguém, mesmo um desconhecido, muitos de nós pensamos ou até verbalizamos ser algo próprio daquele gênero, etnia ou classe social. Com isso aprendemos a pré-julgar as pessoas e as colocamos em “compartimentos sociais”, classificando-as de maneira preconceituosa, como quem diz “é tudo farinha do mesmo saco”.

Essa visão generalizada, geralmente de maneira crítica e até cruel, nos impede de observarmos as virtudes escondidas em cada personalidade. Perdemos a chance de ver o lado bom que existe em cada indivíduo ou coletividade, em nossos colaboradores, nossos vizinhos, conhecidos, amigos ou familiares, pelo simples fato de não dedicarmos nosso tempo e nossa atenção aos detalhes.

O dia que aprendermos a agir dessa nova forma, seremos mais tolerantes, criaremos expectativas positivas e seremos incentivadores de “erros saudáveis” dos outros e de nós mesmos, próprios ao desenvolvimento de quem tenta fazer melhor, em criar o novo, o bom, o excelente, se esforçando em agir para transformar o mundo.

Nos relacionamentos também é importante que cuidemos das lembranças, das marcas que deixamos em cada pessoa, pois não se tem uma segunda chance de se deixar uma primeira impressão. Como cantou Roberto “Detalhes tão pequenos de nós dois, são coisas muito grandes pra esquecer…”.

*André Luiz Petraglia é escritor, palestrante e consultor de comunicação e design.