O Banco do Brasil revelou nesta quinta-feira (12), em seu balanço financeiro, que sofreu um calote de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa no quarto trimestre de 2025.
O nome da companhia não foi divulgado oficialmente, mas analistas ouvidos pelo Valor Econômico apontam a Braskem como responsável pelo rombo. Procurada, a petroquímica não se manifestou até a última atualização.
O impacto foi imediato: a taxa de inadimplência acima de 90 dias saltou para 5,17%, bem acima dos 4,51% registrados no trimestre anterior e dos 3,16% de um ano atrás. Sem esse efeito isolado, o índice ficaria em 4,88%, segundo o banco.
Lucro despenca
O calote ajudou a derrubar o lucro líquido do BB em 2025 para R$ 20,7 bilhões, uma queda de 45,4% em relação a 2024. A instituição já vinha revisando suas projeções ao longo do ano, diante da pressão da inadimplência no agronegócio e de mudanças contábeis.
No último trimestre, o banco registrou lucro ajustado de R$ 5,7 bilhões — queda de 40,1% frente ao mesmo período de 2024, mas alta de 51,7% em relação ao terceiro trimestre, superando as expectativas do mercado.
Perspectivas para 2026
Para este ano, o BB projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A expectativa é de crescimento moderado da carteira de crédito, com avanço maior em pessoa física e estabilidade em empresas e agro.
A presidente-executiva, Tarciana Medeiros, disse em nota que o banco está “otimista com 2026”, mas seguirá com “cautela e disciplina” para mitigar riscos e fortalecer a rentabilidade.
Comparação com rivais
Apesar da recuperação parcial, o retorno sobre patrimônio líquido do BB (12,4%) ainda ficou atrás dos concorrentes: Itaú (24,4%), Santander (17,6%) e Bradesco (15,2%).
O banco anunciou também a distribuição de R$ 1,2 bilhão em juros sobre capital próprio aos acionistas.


