O escritor e CEO na área de tecnologia, Cesar Cotait Kara José, durante entrevista ao BC TV


Por Camila Srougi e Germano Oliveira

A comparação entre atletas e executivos foi o ponto central da entrevista do CEO de tecnologia, escritor e coach Cesar Cotait Kara José ao programa BC TV, do portal Brasil Confidencial, nesta sexta-feira (20).

Para ele, a lógica esportiva é clara: sem descanso, não há performance. “Os cuidados físico e mental são fatores decisivos para liderança, produtividade e crescimento na carreira”, afirmou.

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Ao longo dos anos, Kara José estudou profundamente essa questão, e todo o aprendizado resultou no livro Atleta Corporativo – Como o Esporte Molda Grandes Líderes, lançado no segundo semestre do ano passado pela editora Elite Publisher.

“Se eu tivesse que escolher, a maior escola da minha vida seria o esporte. Foi nele que aprendi a cair e me levantar, persistir, me adaptar, encontrar propósito e superar limites”, escreveu na introdução da obra.

“No tatame do judô, descobri que cair é inevitável — mas levantar é sempre uma escolha consciente. No triathlon, aperfeiçoei persistência e controle mental. Nas ondas do surfe, aprendi sobre paciência e flexibilidade. O que começou como paixão se tornou um campo inesgotável de aprendizado aplicado à vida”, disse.

Hoje, Kara José é CEO para a América Latina na Exadel, companhia global de consultoria e desenvolvimento de software, com sede em Walnut Creek, Califórnia (EUA), presente em 17 países. Antes, atuou em setores como financeiro, agronegócio e imobiliário.

Sua preparação para o mundo corporativo é sólida: graduado em Administração de Empresas pela PUC-SP e em Ciências Contábeis pela UNIP, tem MBA em Gestão de Negócios pela Universidade da Califórnia e em Gestão de Vendas pela FGV. Também é formado em Coaching e Mentoring.

“Desde cedo, comecei a trabalhar movido por uma necessidade intensa de produzir. Mas não tinha, naquele momento, um foco consistente nos estudos, o que deixou lacunas importantes na minha formação. Foi o esporte que ajudou a preencher esses espaços, ensinando na prática sobre resiliência, disciplina e progresso contínuo. Com o tempo, esses aprendizados se uniram a um compromisso mais sólido com o desenvolvimento acadêmico e profissional”, afirmou.

“Cada vivência esportiva — seja uma luta no judô, um quilômetro no triathlon, uma onda surfada, um obstáculo em corridas de aventura, uma manobra no skate, uma partida de tênis, um treino intenso de boxe, uma trilha de mountain bike, uma tacada no golfe ou uma descida no snowboard — contribuiu para minha formação”, declarou.

Na entrevista, Kara José rejeitou a ideia de que longas jornadas de trabalho e acúmulo de tarefas sejam sinônimo de sucesso. “O excesso de trabalho não é alta performance. É desgaste, perda de energia e de visão estratégica”, disse. Segundo ele, esses fatores têm levado profissionais ao esgotamento e à incapacidade de tomar decisões sob pressão.

O esporte como escola de gestão

De acordo com o executivo, o esporte oferece um modelo prático de gestão de energia aplicável ao mundo corporativo. “No esporte, o atleta que não respeita o tempo de recuperação perde rendimento. No executivo, acontece o mesmo: sem descanso, não há clareza mental nem consistência”, afirmou.

Ele destacou que o equilíbrio entre treino e recuperação é o princípio que sustenta a performance de longo prazo. “Burnout é resultado direto da falta de gestão da própria energia. O executivo precisa aprender a se recuperar para manter a capacidade de liderar sob pressão”, disse.

Competências aceleradas pela prática esportiva

Kara José argumentou que a prática esportiva acelera o desenvolvimento de competências essenciais para os negócios. “Resiliência, liderança com propósito e capacidade de correção de rota são habilidades que o esporte ensina de forma prática e intensa”, afirmou.

Ele acrescentou que a disciplina esportiva ajuda a construir líderes mais conscientes e preparados para enfrentar cenários de incerteza. “O esporte ensina que falhar faz parte do processo. O importante é corrigir a rota rapidamente e seguir em frente”, disse.

Alta performance como requisito

Na sua avaliação, em um mercado cada vez mais marcado pela tecnologia e pela inteligência artificial, a alta performance deixou de ser diferencial e passou a ser requisito. “Não basta ser bom. É preciso ser consistente, relevante e capaz de ampliar oportunidades de carreira em ambientes altamente competitivos”, afirmou.

Para Kara José, o futuro da liderança corporativa dependerá da capacidade de integrar saúde física e mental à estratégia de negócios. “Executivos que negligenciam o próprio bem-estar comprometem não apenas sua carreira, mas também a sustentabilidade das empresas que lideram”, disse.

A seguir, leia alguns dos principais trechos da entrevista:

Camila Srougi – Você atua em um setor extremamente dinâmico, que é o da tecnologia, e também dedica tempo à escrita e ao esporte. De que maneira a busca pela exaustão controlada nas atividades físicas pode ajudar a clarear a tomada de decisão em momentos de crise, por exemplo, dentro de uma empresa?

Cesar – Esse é um dos principais motivos que me levaram a escrever o livro Atleta Corporativo. Era uma ideia que eu já tinha há muito tempo e consegui concluir no ano passado. Minha motivação foi transformar minha experiência em algo estruturado, com conceitos claros, histórias reais e um método aplicável na prática.

Mostro como o esporte sustenta o desenvolvimento de carreira, especialmente em um ambiente profissional cada vez mais pressionado, veloz e competitivo. No setor de tecnologia, por exemplo, com o avanço da inteligência artificial, o profissional precisa ter dinamismo e uma mentalidade de crescimento para manter relevância e gerar valor dentro das organizações ou no próprio negócio.

Camila Srougi – Muitos executivos relegam o cuidado com o corpo a segundo plano em nome da produtividade. Na sua visão, onde termina a saúde e começa a estratégia de alta performance profissional?

Cesar – Uma coisa está diretamente relacionada à outra. A alta performance não é trabalhar mais horas nem ser um “super-herói corporativo”. Ela é sobre sobrevivência, relevância e liberdade.

Hoje, o ambiente profissional exige mais velocidade, lida com incertezas, ambiguidade e menor margem para erro. Para ser um executivo capaz de resolver problemas complexos, atingir resultados sob pressão e gerar impacto mensurável, é preciso desenvolver capacidades mentais e físicas superiores.

A alta performance é uma moeda de troca profissional. Sem ela, você vira custo. Com ela, você se torna ativo estratégico.

Germano Oliveira – Quando alguém inicia em um trabalho, geralmente já entra com metas de crescimento. É como um atleta que começa correndo 100 metros em 20 segundos e quer melhorar cada vez mais. Como misturar essa promoção de carreira com os mesmos potenciais do esporte?

Cesar – Precisamos entender que alta performance deixou de ser diferencial e passou a ser requisito. Mas, ao contrário do que muitos pensam, ela gera liberdade.

Quem performa em alto nível conquista poder de negociação, autonomia, acesso a oportunidades e mobilidade de carreira. Baixa performance reduz opções; alta performance amplia possibilidades.

Para crescer, o profissional precisa saber lidar com metas, riscos, conflitos, cobranças e decisões difíceis. Isso mexe muito com o mental. Quando existe uma estrutura de performance bem definida, a pressão se torna gerenciável. Sem isso, ela vira desgaste crônico.

A maioria acredita que alta performance é sinônimo de desgaste. O esporte mostra o contrário. No esporte, estar desgastado destrói o atleta. Alta performance não é intensidade constante; é sustentabilidade. É treinar de forma inteligente para atingir metas sem colapsar.

Eu falo de quatro pilares fundamentais, começando pelo gerenciamento de energia. Não é sobre trabalhar 12 horas todos os dias. Você pode trabalhar 12 horas, mas precisa de pausas estratégicas. O atleta entende isso perfeitamente: sabe quando treinar e quando descansar.

No mundo corporativo, romantizou-se o cansaço. Virou até status dizer que a agenda está lotada. Mas ninguém espera consistência de um atleta em overtraining. Da mesma forma, não se pode esperar excelência de um executivo esgotado ou em burnout.

Cansaço excessivo compromete decisões estratégicas, qualidade de feedback, visão de longo prazo e capacidade de inovação.

Germano Oliveira – Quais competências você considera indispensáveis para prosperar na carreira hoje?

Cesar – No Atleta Corporativo, eu falo de sete competências fundamentais, muito ligadas às soft skills. Hard skills podem ser adquiridas rapidamente — e até superadas pela tecnologia.

Entre essas competências estão: Liderança com propósito; Resiliência; Capacidade de trabalhar sob pressão; Definição clara de metas; Correção rápida de rota; Disciplina e Consistência.

A pressão sempre vai existir. O esporte é fantástico para ensinar a lidar com isso. Modalidades como corrida, maratona e ultramaratona são treinamentos constantes de resiliência, foco e ajuste de estratégia.

O esporte permite vivenciar, em minutos ou horas, aprendizados que na vida profissional poderiam levar meses ou anos para acontecer. Esse é o grande diferencial. No livro, faço a conexão entre essas competências e diferentes modalidades esportivas, mostrando como elas podem ser aplicadas diretamente no ambiente corporativo.

📺 A entrevista completa está disponível no canal BC TV:

Saiba quem é Cesar Cotait Kara José

SOBRE O AUTOR - Cesar Cotait Kara José

Cesar Cotait Kara José ocupa atualmente o cargo de CEO para a América Latina na empresa de tecnologia Exadel. Com trajetória marcada pela atuação em diferentes setores — como financeiro, agronegócio e imobiliário —, construiu uma carreira diversificada e de alcance internacional.

Graduado em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e em Ciências Contábeis pela Universidade Paulista (UNIP), Kara José também investiu em formação executiva fora do país.

Concluiu MBA em Gestão de Negócios pela Universidade da Califórnia e outro em Gestão de Vendas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Além disso, é certificado em Coaching e Mentoring, ampliando sua atuação para o desenvolvimento de lideranças.

À frente da Exadel na região, o executivo combina experiência acadêmica e prática em diferentes mercados, consolidando-se como referência em gestão e inovação empresarial.

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Atleta Corporativo – Como o Esporte Molda Grandes Líderes
Autor
: Cesar Coitat Kara José
Editora: Elite Publisher
Páginas: 262

Recentemente, ele lançou o livro “Atleta Corporativo – Como o Esporte Molda Grandes Líderes”, pela Editora Elite Publisher, sendo um manual sobre como enfrentar desafios com coragem, conquistar grandes vitórias e, ao mesmo tempo, manter um equilíbrio real entre carreira, saúde e vida pessoal.

Com base em evidências, diz o autor, “este livro mostra que não basta praticar esporte: é preciso mentalizar seus benefícios e aplicá-los com intenção nos desafios do dia a dia. O esporte, quando vivido com consciência, se torna um catalisador da mentalidade de crescimento e um caminho sólido para a evolução constante”.

Além disso, afirma ele, a obra apresenta um mapa estratégico para se montar um plano pessoal de desenvolvimento por meio do esporte, e uma matriz que ajuda a identificar quais modalidades são mais eficazes para desenvolver competências específicas.